Mesmo sem eleição no calendário, 2025 funcionou como um verdadeiro ano de provas. Serviu para escancarar aquilo que nos bastidores já era conhecido, mas publicamente negado: a oposição viveu, ao longo de todo o período, uma guerra interna marcada por disputas de vaidade, alianças frágeis e tentativas forçadas de demonstrar unidade por meio de abraços e sorrisos pouco convincentes. Não demorou para que as fissuras viessem à tona, desmontando o discurso de coesão. O que, naturalmente, quebrou grande parte do encanto da população que acreditou num discurso de união sem os vícios que os opositores pregaram até chegar ao posto do segundo maior poder político local: a Prefeitura de Aracaju.
Por outro lado, quem surpreendente saiu largando na frente foi o governador do Estado Fábio Mitidieri (PSD), que encerrou o ano com vantagem discrepante na corrida pela reeleição. Ele optou por manter o foco na gestão, elevando consideravelmente as entregas. Resultados e organização administrativa tornaram-se seus principais cabo eleitoral. A avaliação predominante entre analistas e na classe política, não somente local, mas nacional, é de que esse caminho fortaleceu sua imagem, ampliou seu capital político e ajudou a consolidar a percepção popular de um gestor preparado.
Ainda assim, diante das movimentações aceleradas da oposição, que segue sem conseguir definir um nome competitivo para enfrentá-lo, o governador decidiu agir. Em uma movimentação considerada ousada, antecipou a composição de sua chapa majoritária. Jeferson Andrade (PSD) foi anunciado como pré-candidato a vice, enquanto André Moura (UB) e Alessandro Vieira (MDB) passaram a figurar como os nomes do grupo para a disputa ao Senado, uma articulação já antecipada pela Realce e que reforçou a capacidade de liderança do governador ao unir dois desafetos, embora também tenha ampliado o campo para ataques adversários- nesse ponto o desgaste ficou entre os dois pré-candidatos ao Senado, que agora parecem manter um tom ameno em sinal de respeito ao líder do grupo.
O ano também foi marcado por intensas movimentações partidárias. A criação da Federação União Progressista, maior bloco do Congresso Nacional, sinalizou força para a disputa proporcional em 2026 e já projeta nomes competitivos, a exemplo da deputada federal Yandra Moura (UB), que, segundo projeções, deve novamente figurar entre as mais votadas. Em paralelo, a mudança no comando do PL em Sergipe, que passou para as mãos de Rodrigo Valadares, deixou os irmãos Amorim em posição delicada, empurrando-os para legendas de menor potencial de votos espontâneos e sem militância gratuita, como Podemos e Republicanos.
Outro episódio de grande repercussão em 2025 foi o rompimento político entre a prefeita Emília Corrêa (Republicanos) e Ricardo Marques (Cidadania). Embora ambos tenham tentado minimizar publicamente o desgaste, inclusive com aliados disputando ataques contra a Realce após as exclusivas, os fatos rapidamente vieram à tona, confirmando o clima de relação conturbada que já havia sido antecipado pela revista e ampliando ainda mais a sensação de desorganização no campo oposicionista.
Além desses, diversas outras farpas foram trocadas entre aliados diretos de Valmir de Francisquinho, como Adailton Sousa, com outras lideranças da oposição. O próprio prefeito de Itabaiana foi um dos nomes que mais deram declarações mostrando grande insatisfação com a postura dos Amorim e da prefeita.
Assim, mesmo sem o peso formal das urnas, 2025 cumpriu um papel decisivo. Enquanto o governo terminou o ano com alianças desenhadas e liderança consolidada, a oposição encerrou o período presa a conflitos internos e indefinições. O resultado é um cenário em que a largada para 2026 já foi dada, e, ao menos por ora, com vantagem clara para quem soube usar o ano pré-eleitoral a seu favor.


