Restam poucos meses para os sergipanos retornarem às urnas em outubro, mas, mesmo diante da proximidade do calendário eleitoral, a oposição em Sergipe ainda não conseguiu definir quem será o seu nome na disputa pelo Palácio dos Despachos. Pelo contrário, nos últimos dias, os sinais emitidos pelos bastidores apontam que, além da indefinição, o grupo caminha para um cenário de divisão cada vez mais claro também na corrida pelo Governo do Estado.
Segundo informações de bastidores, líderes da oposição devem se reunir ainda neste mês na tentativa de construir um consenso mínimo em torno de um nome. O problema é que esse entendimento parece distante. O jogo de vaidades tem se intensificado, e cada movimento reforça a percepção de que os interesses pessoais têm pesado mais do que qualquer estratégia coletiva para enfrentar o grupo governista em 2026, que segue com o governador Fábio Mitidieri (PSD) como o grande favorito.
Parte desse impasse passa diretamente pela postura da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), que assumiu para si as principais decisões do campo oposicionista. Ao se colocar como liderança do grupo, ela passou a desenhar a composição majoritária, indicando Rodrigo Valadares (UB) e Eduardo Amorim (Republicanos) como seus pré-candidatos ao Senado, movimento que acabou deixando o bloco ligado ao prefeito de Itabaiana completamente de fora das articulações centrais.
Esse isolamento tende a provocar reação. Valmir de Francisquinho (Republicanos) dificilmente aceitará ficar à margem das definições e deve tentar emplacar a indicação do nome da oposição ao Governo. O gesto, no entanto, esbarra na resistência do núcleo mais próximo de Emília, que já tem dado sinais claros, também nos bastidores, de preferência por um caminho distinto.
O resultado é um cenário de oposição fragmentada, sem unidade no Senado e, ao que tudo indica, também sem coesão na disputa pelo Palácio dos Despachos. Se nada mudar nas próximas semanas, a tendência é que o campo oposicionista chegue à corrida dividido, enfraquecido e consumido por disputas internas, um cenário que, naturalmente, beneficia ainda mais quem já está como favorito.


