O ex-prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira (PDT) atravessa um dos momentos mais delicados de sua trajetória política às vésperas das eleições de 2026. Embora seja reconhecido como um gestor experiente, já que foram quatro mandatos à frente da capital sergipana, o pedetista não tem encontrado um ambiente favorável para viabilizar seu projeto eleitoral de curto prazo, que também mira em 2028, quando poderá tentar retornar à prefeitura do maior colégio eleitoral do estado.
Edvaldo entra no jogo enfrentando adversários robustos, como Rodrigo Valadares (UB), Rogério Carvalho (PT), Alessandro Vieira (MDB), André Moura (UB) Eduardo Amorim (Republicanos), entre outros, e um cenário altamente competitivo, já que a corrida pelo Senado exige densidade eleitoral em todo o estado.
E é justamente nesse ponto que surge um de seus principais gargalos: a frágil articulação política e a postura excessivamente técnica, marcas recorrentes de sua trajetória.
A dificuldade de circulação e de enraizamento no interior sergipano é outro fator que pesa contra o ex-prefeito. Diferentemente de lideranças que construíram bases fortes fora da capital, Edvaldo sempre concentrou sua atuação política em Aracaju, deixando lacunas importantes no relacionamento com prefeitos, vereadores e lideranças regionais. E em disputas de grande magnitude, como a majoritária, essa ausência de capilaridade costuma ser decisiva.
No campo partidário, interlocutores também têm externado insatisfação com sua liderança no PDT em Sergipe. O partido vive um momento de enfraquecimento, com pouca representatividade nas Câmaras e presença tímida nas prefeituras e demais espaços.
Nos últimos meses, Edvaldo até passou a adotar uma postura diferente, intensificando agendas no interior e iniciando diálogos com prefeitos e lideranças regionais, algo que pouco fez enquanto ocupava o comando da capital. O movimento é visto como tardio, mas necessário, numa tentativa de corrigir um erro histórico que hoje limita suas chances eleitorais.
Ainda assim, subestimar Edvaldo Nogueira seria um equívoco. Quem governou Aracaju por quatro mandatos mantém peso político na capital. Mesmo sem conseguir eleger Luiz Roberto como sucessor em 2024, sondagens mostram que o ex-prefeito segue extremamente competitivo em Aracaju, liderando ou figurando com ampla vantagem em diversos cenários.
O contraste, porém, é claro. Enquanto na capital sua força é considerada estrondosa, no interior, como costumam ironizar adversários, Edvaldo ainda é “nanico”.


