Aqueles que almejam disputar as vagas proporcionais nas eleições de 2026 têm enfrentado, sem dúvidas, muita dor de cabeça e noites mal dormidas. Em especial quando o assunto é a disputa pela Câmara Federal, que caminha para ser uma das mais acirradas da história recente da política sergipana.
A corrida reunirá detentores de mandato em busca da reeleição, veteranos calejados e novatos que já demonstram força eleitoral. Esse conjunto, por si só, ajuda a explicar por que a disputa se desenha tão difícil e imprevisível. Isso torna o ambiente hostil até para nomes que, em outros ciclos eleitorais, caminharam com relativa tranquilidade.
Entre os atuais deputados, Gustinho Ribeiro (PP) aparece como um dos que devem enfrentar mais obstáculos, assim como João Daniel (PT) e Thiago de Joaldo (Republicanos). Gustinho, em especial, passou um longo período, desde 2024, articulando nos bastidores após perder o comando de sua principal base eleitoral, Lagarto. Sem uma chapa competitiva, buscava uma saída que lhe devolvesse fôlego. Ela veio por meio das articulações do governador Fábio Mitidieri (PSD) e do senador Laércio Oliveira (PP), que garantiram seu abrigo no PP, dentro da provável federação União Progressista, movimento que, caso se concretize, apesar de lhe ser positivo, não elimina o risco.
Thiago, por sua vez, chega ao processo carregando polêmicas acumuladas ao longo do mandato. O episódio mais sensível foi o apoio à chamada PEC da Blindagem, apelidada como PEC da Bandidagem, tema que ainda repercute negativamente em setores do eleitorado e pode se transformar em seu maior pesadelo eleitoral neste ano. Além da formação da chapa em que estará, que precisa ser extremamente favorável ao deputado.
Já Anderson de Zé das Canas (PSB) entra na disputa com um olho em 2026 e outro claramente voltado para 2028, quando pretende disputar a Prefeitura de Itabaiana. O problema é que esse projeto de médio prazo pode naufragar antes mesmo do esperado. Ele tem observado crescer uma rejeição dentro da própria base, onde é visto como um perfil excessivamente individualista e pouco agregador, característica que pesa negativamente em disputas majoritárias e, agora, também na proporcional.
No caso de João Daniel, o desafio tem nome e sobrenome: Márcio Macedo. Com a pré-candidatura do ex-ministro, o PT passa a enfrentar um dilema histórico. O partido, que tradicionalmente elege apenas um deputado federal, terá de romper esse padrão se quiser acomodar dois projetos competitivos. Caso contrário, o risco de JD ficar pelo caminho é real.
Capitão Samuel também vive um cenário de atenção. Dentro da federação União Progressista, ele encontra dificuldades diante da presença de outros nomes fortes. Se a federação for consolidada, seu caminho se estreita, especialmente pela disputa direta com Gustinho Ribeiro. Há, porém, uma alternativa: a migração para o PSB, onde enfrentaria voto a voto Anderson de Zé das Canas, uma disputa em que, pelas avaliações internas, Samuel deve ter mais força.
Por fim, Moana Valadares (PL) desponta como um dos nomes mais fortes da direita na corrida proporcional. Ainda assim, não terá vida fácil. O campo conservador também contará com outros candidatos competitivos. A vereadora, no entanto, larga em vantagem por reunir dois ativos relevantes: o apoio do clã Bolsonaro e a estrutura política do marido, o deputado federal Rodrigo Valadares (UB), que disputará ao Senado pelo PL.


