Passado o Carnaval de 2026, importante termômetro para a classe política que mira as eleições deste ano, o cenário começa a revelar quem saiu na frente, quem mostrou força nas ruas e quem ainda aparece de forma mais tímida na disputa. E a partir de agora, o processo eleitoral tende a engrenar de vez, especialmente com a janela partidária se abrindo já no início do próximo mês, o que deve provocar uma intensa dança das cadeiras em Sergipe, com legendas buscando musculatura tanto nas chapas majoritárias quanto nas proporcionais.
Nos bastidores, a tendência é de afunilamento das conversas entre lideranças e da formação das chapas. Na oposição, por exemplo, ainda não há definição sobre quem será o nome que enfrentará o governador Fábio Mitidieri (PSD) nas urnas.
Já na base governista, os olhares se voltam para o desfecho dos recentes embates entre Alessandro Vieira (MDB) e André Moura (UB), enquanto Fábio tem evitado tratar publicamente sobre o assunto, focando nas entregas da gestão.
A Realce, como em outros pleitos, seguirá acompanhando de perto cada movimento, trazendo aos nobres leitores análises diretas e informações exclusivas que prometem impactar o jogo para 2026.
Edvaldo não aproveitou o Carnaval
Diversos pré-candidatos aproveitaram a folia, como citado acima, para testar popularidade nas ruas e, dentre os nomes postos ao Senado, chamou atenção a ausência do ex-prefeito Edvaldo Nogueira, que não compartilhou qualquer registro curtindo o Carnaval em suas redes sociais, justamente ele que ainda enfrenta grande deficiência de presença no interior do Estado e vem correndo contra o tempo para tentar reverter esse cenário.
Rogério mostrou força
O senador Rogério Carvalho (PT), por outro lado, foi o pré-candidato ao Senado que mais percorreu o interior de Sergipe durante o Carnaval, cumprindo uma verdadeira maratona por diversos municípios. E essa agenda intensa evidenciou o amplo arco de alianças construído ao longo do mandato, com a presença de prefeitos aliados e lideranças locais, além de uma receptividade popular espontânea por onde passou, como em Estância, Barra dos Coqueiros, Santo Amaro, Gararu e Itabaianinha.
Conservadores pressionam
A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), voltou a ser pressionada por bolsonaristas após falas consideradas contraditórias sobre o palanque de 2026. Desta vez, Flávio (PL) da Direita Sergipana cobrou publicamente que a gestora deixe claro se apoiará Flávio Bolsonaro para a Presidência e Rodrigo Valadares ao Senado, criticando a falta de coerência de quem, em 2024, recorreu diretamente ao apoio de Jair Bolsonaro para vencer na capital.
Rodrigo também pressiona
O deputado federal e pré-candidato ao Senado Rodrigo Valadares (UB) também voltou a pressionar nomes da direita sergipana por falta de posicionamento em pautas sensíveis do bolsonarismo. Nas redes, afirmou que “95% dos pré-candidatos” evitam temas como críticas ao STF, anistia e apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência, e avisou que pode expor quem tem apenas “pose de direita”.
Moana reage
A presidente estadual do PL e vereadora de Aracaju, Moana Valadares, reagiu e também mandou recado direto aos pré-candidatos que, segundo ela, tentam apenas “surfar na onda” do movimento conservador. Ela afirmou que o eleitor não será enganado e criticou nomes que evitam assumir posições claras, reforçando que o bolsonarismo em Sergipe está atento a quem realmente veste a camisa do grupo.
Inaldo no PT?
Com a janela partidária se aproximando, o PT intensificou as articulações para reforçar sua chapa à Alese e tem no ex-prefeito de Nossa Senhora do Socorro, Padre Inaldo (PP), uma de suas principais apostas. A tendência de filiação é vista como forte nos bastidores e, se confirmada, ele já entra como nome competitivo, impulsionado pelo legado de sua gestão, especialmente a entrega de quase 4 mil casas. O movimento, porém, também deve acirrar o embate com o prefeito Samuel Carvalho (Cidadania), transformando 2026 em um teste direto de forças no município.
Adailton admite
O ex-prefeito de Itabaiana, Adailton Sousa (Podemos), finalmente reconheceu que deixou uma dívida de R$ 38 milhões ao fim de sua gestão, mas afirmou que o cenário precisa ser contextualizado, sustentando que herdou de Valmir de Francisquinho (Republicanos) um passivo de cerca de R$ 340 milhões, posteriormente reduzido para aproximadamente R$ 130 milhões.
Gedalva
O estado pode estar prestes a assistir a mais um racha entre prefeito e vice, desta vez em São Cristóvão. Em entrevista, a vice-prefeita Gedalva Umbaubá (Republicanos) foi direta ao afirmar que não se sente parte da gestão de Júlio Junior (UB), apesar das recentes tentativas do prefeito de conter a crise. “Desde o início não me sinto incluída”, declarou. A fala ocorre poucos dias após Júlio divulgar nota pregando respeito e equilíbrio diante das trocas de farpas envolvendo Gedalva e o grupo do ex-prefeito Marcos Santana.

