Mais de um ano após ser colocado em uma situação desconfortável pelo atual prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (PL), inclusive na mira de uma possível CPI na Câmara Municipal, o ex-prefeito Adailton Sousa (Podemos) finalmente admitiu publicamente que deixou débitos ao fim de sua gestão, mas apresentou sua própria versão sobre a origem e a dimensão do problema.
A nova declaração ocorre em meio ao embate recente entre Adailton e o ex-deputado Venâncio Fonseca, que voltou a cobrar explicações sobre a situação financeira do município e sobre a concessão da Deso.
Em entrevista, Adailton reconheceu que o município ficou com uma dívida de R$ 38 milhões ao término do seu mandato, corrigindo o valor de R$ 30 milhões que vinha sendo citado. “Valmir disse que eu deixei com 30 milhões, foi 30 milhões não, foi 38 milhões”, afirmou na Fan FM.
Mas, segundo o próprio, ao assumir a Prefeitura de Itabaiana, herdou um passivo muito maior da gestão anterior de Valmir, estimado em cerca de R$ 340 milhões, que teria sido reduzido para aproximadamente R$ 130 milhões ao final do seu governo, entre precatórios e parcelamentos do INSS.
Adailton também saiu em defesa da aplicação dos recursos da Deso. De acordo com ele, foram recebidos cerca de R$ 54 milhões, dos quais R$ 52,8 milhões teriam sido aplicados. O ex-prefeito afirmou ainda que hoje existiriam cerca de R$ 102 milhões aplicados nas contas do município e disse que os dados podem ser verificados por meio de extratos.
No ano passado, pouco tempo após reassumir a Prefeitura de Itabaiana, movimento que só foi possível após Adailton ter aberto espaço para seu retorno, Valmir colocou o aliado em maus lençóis ao afirmar publicamente que havia encontrado o município com dívidas milionárias. À época, Sousa reagiu de forma imediata, negando irregularidades e sustentando que havia deixado R$ 54 milhões em caixa, valor que, segundo ele, era fruto da venda da Deso.


