Não tem sido nada fácil, dentro da oposição sergipana, a construção de um consenso em torno dos nomes que representarão o grupo na disputa pelo Senado nas eleições deste ano, especialmente após as mudanças de rota provocadas pela saída dos Amorins de dentro do PL.
Nos bastidores, aliados da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), já começam a defender, ainda que de forma reservada, que o deputado federal Rodrigo Valadares (UB) reavalie sua pré-candidatura ao Senado, visto que a maioria do agrupamento agora não quer mais uma chapa formada por ele e Eduardo Amorim (Republicanos), como teria sido imposta inicialmente pela gestora. Na época, o movimento gerou burburinhos, sobretudo no bloco de Valmir de Francisquinho (Republicanos), que defende o nome de Adailton Sousa (Podemos) para a posição.
E isso, sem dúvidas, coloca novamente a prefeita diante de um dilema com potencial de impactar, e muito, sua trajetória política. Emília também se vê praticamente com uma “faca no pescoço” por parte dos bolsonaristas mais ferrenhos, que não têm economizado na pressão para que ela mantenha a palavra e sustente o palanque da família Bolsonaro, de quem recebeu apoio decisivo na eleição de 2024 em Aracaju.
Nesse pacote está justamente Rodrigo para o Senado, nome chancelado pelo clã em diversas ocasiões públicas. Caso contrário, o recado já foi dado nos bastidores: o gesto pode ser interpretado como uma traição definitiva.
O cenário, portanto, está longe de uma definição pacífica. E, a depender do desfecho, Emília poderá sacramentar de vez seu rompimento com os bolsonaristas, já que não será nada fácil convencer Rodrigo a recuar.


