Nos corredores políticos não se fala em outra coisa que não seja a guerra interna que vive hoje a oposição sergipana, especialmente após a semana agitada entre os bolsonaristas envolvendo três personagens centrais: Emília Corrêa (Republicanos), Valmir de Francisquinho (Republicanos) e Rodrigo Valadares (UB).
A prefeita de Aracaju segue com a faca no pescoço após mudar sua postura sobre o apoio ao deputado federal para o Senado e a sua falta de engajamento nas pautas e nos projetos bolsonaristas. O movimento, atribuído oficialmente ao “grupo”, acendeu o alerta entre os eleitores de Bolsonaro, que já tratam qualquer recuo como sinal de traição, e a pressão para que ela mantenha a palavra que firmou com o ex-presidente e Rodrigo em 2024, quando foram cruciais para sua vitória na prefeitura, só aumenta.
Já Valmir de Francisquinho foi praticamente escorraçado pelos bolsonaristas nesta semana. Se antes ainda pairava alguma dúvida, agora o recado é claro. O prefeito potencializou a percepção de traidor por eleitores do ex-presidente, conforme deixou explícito Rodrigo em suas declarações contra o itabaianense, ao relembrar os fatídicos episódios de 2022, que hoje pesam como um verdadeiro pesadelo para o gestor.
Para o deputado, a prova desse desgaste foi a ausência de qualquer clamor popular quando a Justiça devolveu a Valmir sua elegibilidade, sobretudo entre os bolsonaristas. Na leitura de Rodrigo, isso mostra como a suposta “traição custou caro”.
O deputado também partiu para o modo ofensivo no que tange o comando do PL em Sergipe, afirmando que Valmir é um vassalo dos irmãos Amorim e que só não assumiu o diretório estadual do partido por não ter a confiança de Eduardo e de Edivan.
Nacional não quer Valmir
Vazamento de anotações do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro desenharam qual pode ser o palanque do PL em Sergipe, e o que chamou a atenção foi justamente a ausência do nome de Valmir para o Governo do Estado, o que pode ser mais um reflexo de sua rejeição com o bolsonarismo.
Eduardo descartado
O nome de Eduardo Amorim (Republicanos) até aparece como opção ao Senado, porém surge riscado, indicando que teria sido descartado e abrindo espaço para o avanço de Coronel Rocha como alternativa à Casa Alta.
Vazamento proposital
A Realce trouxe a informação exclusiva, com base em uma fonte ligada à direção nacional do partido, de que o vazamento das anotações teria sido propositalmente inteligente para pressionar lideranças que ainda permanecem “em cima do muro” sobre o projeto bolsonarista para 2026, incluindo Emília, presidente estadual do Republicanos, partido que, em parte, defende a neutralidade na corrida presidencial.
André e a CPMI do INSS
Após meses sendo citado, o ex-deputado federal André Moura (UB) foi finalmente convocado para depor na CPMI do INSS, que investiga descontos associativos não autorizados contra aposentados e pensionistas. O requerimento, apresentado por Rogério Correia (PT-MG), aponta o sergipano como um dos possíveis articuladores do esquema, especialmente em Sergipe. Ele afirmou que comparecerá e demonstrou tranquilidade, mas a convocação acrescenta mais um fator negativo em seu cenário político rumo a 2026.
Rompimento sacramentado
A vice-prefeita de São Cristóvão, Gedalva Umbaubá (Republicanos), confirmou nesta semana o rompimento com o grupo do prefeito Júlio Junior (UB) e do ex-prefeito Marcos Santana (MDB), afirmando que a permanência se tornou “insustentável” após ataques verbais e morais da secretária de Cultura Paola Santana, filha de Marcos. O desgaste já vinha crescendo nos bastidores, agravado também pela disputa de espaço para 2026.
Qual será o segundo nome?
Desde que o governador Fábio Mitidieri (PSD) anunciou no início desta semana que Alessandro Vieira (MDB) seguirá com uma pré-candidatura independente, após dialogar com o emedebista, voltou a crescer nos bastidores o questionamento sobre quem será o segundo nome ao Senado em sua composição para 2026. Entre os mais cotados no momento aparecem o senador Rogério Carvalho (PT) e o ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PDT).
MDB
E por falar no MDB, o senador e presidente estadual do partido teria descartado a possibilidade de Marcos Santana disputar um mandato de deputado federal pela sigla no Estado. E isso, sem dúvidas, pode reformular totalmente as projeções para ela nas eleições de 2026. Nos bastidores, a leitura é de que a eventual ausência do ex-prefeito embaralha a montagem da chapa proporcional e abre uma nova disputa interna por espaço dentro da legenda.
Cidadania
O diretório estadual do Cidadania em Sergipe passou por mudanças nesta semana, confirmando a perda de comando do deputado Georgeo Passos sobre a legenda no estado. A movimentação, que já era esperada nos bastidores após sinais de insatisfação da direção nacional, deve impactar diretamente a articulação da chapa proporcional para 2026.
Sérgio x Gustinho
O deputado estadual Ibrain de Valmir (PV) acusou Gustinho Ribeiro (PP) de tentar bloquear recursos federais destinados à pavimentação do município após a derrota de seu grupo nas eleições de 2024. Segundo o parlamentar, além de negar que o deputado federal tenha enviado mais de R$ 10 milhões para o bairro Loiola, classificação que chamou de “falsa”, a liberação da verba só teria sido garantida graças à atuação do senador Rogério Carvalho (PT), que, conforme o lagartense, conseguiu destravar os recursos para que as obras seguissem em andamento na gestão do prefeito Sérgio Reis (PSD).
Julgamento suspenso
O julgamento do deputado federal Ícaro de Valmir no TSE foi suspenso e o processo será levado ao plenário da Corte. Nos bastidores, a avaliação é de que a defesa adotou a estratégia para postergar o desfecho da ação que apura suposta fraude à cota de gênero nas eleições de 2022, caso que, se resultar em cassação, pode abrir caminho para André David (Republicanos) assumir a vaga na Câmara Federal.
Briga de leoas
O jornalista Victor Vieira, do Fato Sergipe, fez uma análise precisa sobre o furo da Realce com relação a pressão para que Rodrigo Valadares (UB) recue da disputa ao Senado, comparando o embate entre Moana Valadares (PL), que saiu em defesa do marido, e a prefeita Emília a uma verdadeira “briga de leoas”.


