As eleições de 2026 prometem aprofundar o processo de enxugamento do sistema partidário brasileiro, impulsionado pela cláusula de barreira, mecanismo que exige desempenho mínimo das legendas para acesso ao fundo partidário e ao tempo de rádio e TV. Criada na minirreforma eleitoral de 2017, a regra vem, desde 2018, pressionando siglas com baixa votação a se fundirem, federarem ou simplesmente desaparecerem.
Para o próximo ciclo eleitoral, os partidos precisarão eleger pelo menos 13 deputados federais ou alcançar 2,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em um número mínimo de estados. O desafio cresce porque a cláusula é progressiva até 2030, o que coloca várias legendas tradicionais e médias sob alerta máximo.
Entre os nomes mais observados estão Cidadania, Solidariedade, PRD, Avante e o recém-criado Partido Missão, que hoje operam com bancadas enxutas e dependem de crescimento expressivo para sobreviver com autonomia. O Cidadania, por exemplo, vive o fim de sua federação com o PSDB e corre contra o tempo para encontrar nova aliança que garanta fôlego. Já Solidariedade e PRD apostam na atuação conjunta, mas ainda precisam ampliar a representação para escapar do risco.
Mesmo partidos com bancadas um pouco maiores, como Podemos e PDT, também aparecem no radar de risco, ainda que em situação menos crítica. Ambos tentam se reorganizar nacionalmente após perdas de quadros e protagonismo nos últimos anos. O PSDB, que já foi protagonista da política nacional, igualmente segue em zona de atenção, pressionado pela redução gradual de sua bancada e pela necessidade de redefinir alianças.
Diante desse cenário, as federações partidárias se consolidam como a saída mais imediata para legendas menores preservarem identidade sem desaparecer. Já as fusões seguem como alternativa mais radical, porém eficaz, para somar forças e cumprir as metas legais. Sem esses movimentos, a tendência é que partidos com baixa densidade eleitoral tendem a enfrentar uma espécie de asfixia financeira e política.



