O Brasil pode se tornar alvo de pressões ou até de uma intervenção internacional dos Estados Unidos sob o argumento de combate ao terrorismo ou ao narcotráfico. É o que afirmou a jornalista Rachel Sheherazade ao analisar a crescente disputa geopolítica entre o país norte americano e China.
Ela argumenta que, por ser também uma potência militar com arsenal nuclear, a China não poderia ser confrontada diretamente pelos Estados Unidos em um conflito armado. Por isso, em sua avaliação, a disputa ocorreria de forma indireta, por meio de pressões econômicas e políticas sobre países que mantêm relações estratégicas com Pequim, como é o caso do Brasil.
Além de integrar o grupo de países emergentes do BRICS, o país é atualmente um dos principais parceiros comerciais da China e exporta soja, minério de ferro, petróleo e carne bovina.
“Além das riquezas minerais e naturais, o Brasil possui uma das maiores reservas de água doce do planeta. E apesar de tão rico e relevante , nosso país é extremamente indefeso por que não possui armas nucleares para auto proteção. Por isso, somos vulneráveis a chantagens econômicas, embargos, supertaxação, interferências políticas, e, é claro, vulneráveis, também, a invasões”, disse.
Sheherazade afirmou ainda que um eventual pretexto para uma ação internacional contra o país poderia ser o combate ao narcotráfico. Na visão dela, a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas poderia abrir espaço para justificar uma intervenção estrangeira em território nacional.
“O pretexto para atacar nosso país e pilhar nossas riquezas será o “combate ao narcotráfico”. Para isso, basta qualificar as organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho como “organizações terroristas”. Pronto. Com a desculpa de combater o terrorismo, os Estados Unidos poderão, enfim, invadir o território soberano do Brasil”, pontuou.
A jornalista também criticou políticos brasileiros que, segundo ela, defendem uma aproximação automática com Washington e afirmou que esse posicionamento poderia enfraquecer a soberania nacional diante das disputas geopolíticas globais.


