A decisão da Justiça Federal que determinou a desmontagem e realocação da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, na Praia do Saco, em Estância, provocou forte repercussão nas redes sociais e já ganhou também as ruas.
Neste domingo, 12, moradores e frequentadores da região realizaram um ato em defesa da capela, considerada um dos principais símbolos históricos e religiosos do município. Após a celebração de uma missa no local, os participantes promoveram um abraço simbólico ao redor do templo e entoaram palavras de ordem pedindo sua permanência.
Nas redes sociais, a maioria das manifestações foi de indignação. Internautas classificaram a decisão como “triste” e “vergonhosa”, destacando o valor histórico da igreja e cobrando coerência das autoridades, ao citar outras construções em áreas de preservação que, segundo eles, não enfrentam o mesmo tipo de intervenção.
“Desmontaram um templo egípcio, mas uma igreja de 400 anos colocou dificuldade…”, comentou um internauta. “Decisão vergonhosa! Independente de ser igreja, trata-se de um monumento de relevância histórica cultural”, escreveu outro. “Alguém deve querer um espaço para construir um restaurante”, disse um usuário. “Há 400 anos não derrubou, agora é que vai derrubar? Essa conta não bate!”, afirmou mais um.
A decisão judicial foi proferida no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que questiona a ocupação da faixa de areia, considerada área de preservação permanente. Na sentença, o juiz federal Rafael Soares Souza apontou que a permanência da capela é inviável do ponto de vista legal e ambiental, destacando que o local é classificado como “non aedificandi” e sofre com erosão costeira acentuada.
Segundo o magistrado, intervenções já realizadas, como enrocamentos para conter o avanço do mar, são insuficientes e podem até agravar a degradação da área. Diante disso, foi determinada a desmontagem da estrutura e sua reinstalação em local seguro, preservando as características arquitetônicas originais. A Diocese de Estância terá prazo de seis meses, após o trânsito em julgado, para cumprir a decisão, sob pena de multa diária.
Apesar de reconhecer o valor histórico, cultural e religioso da capela, a Justiça entendeu que isso não justifica sua permanência em uma área ambientalmente protegida e sob risco de destruição. A medida busca, segundo a sentença, equilibrar a preservação do patrimônio com a recuperação ambiental da região.
O Governo de Sergipe e a Prefeitura de Estância já anunciaram que irão recorrer da decisão.


