Voltaram a ganhar força desde a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na última semana as discussões em todo o país sobre o possível avanço do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, e cresce a pressão para que a proposta seja pautada ainda nesta semana na Câmara dos Deputados, apesar de não constar oficialmente na agenda.
O movimento pela votação da anistia vem sendo impulsionado principalmente pela oposição, que pressiona a Mesa Diretora para acelerar a análise do texto. No entanto, o presidente da Câmara, Hugo Motta, tem sinalizado que pretende segurar as discussões sobre uma anistia ampla que alcance o ex-presidente ou mesmo a proposta de redução das penas, apelidada de PL da dosimetria. Ele tem reiterado que o momento é “extremamente conturbado” e que pautar o tema agora seria “colocar lenha na fogueira”, ampliando o clima de instabilidade institucional.
E de acordo com a atualização mais recente, a maioria da bancada sergipana na Câmara é favorável à anistia: Rodrigo Valadares (UB), Ícaro de Valmir (PL), Gustinho Ribeiro (Republicanos), Fábio Reis (PSD), Thiago de Joaldo, e Katarina Feitoza (PSD) devem votar a favor caso o projeto entre em votação.
A deputada Yandra Moura (UB) aparece como indecisa, mas votou a favor da urgência do projeto, um indicativo de possível apoio na votação final. Já o deputado João Daniel (PT) é o único parlamentar sergipano na Câmara declaradamente contra a medida.
Quanto aos senadores, Alessandro Vieira (MDB) é contra a anistia ampla para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Ele defende punição rigorosa para quem praticou violência e considera inaceitável perdoar crimes como a tentativa de explosão de um caminhão-tanque em Brasília. Por outro lado, apresentou um projeto de lei alternativo, propondo ajustes no Código Penal para reduzir penas de alguns crimes menores relacionados ao 8 de janeiro, uma espécie de “meio-termo” entre punir e evitar injustiças individuais.
O líder do governo Lula no Senado, Rogério Carvalho (PT), é contra qualquer proposta de anistia, seja para manifestantes envolvidos nos atos, seja para Jair Bolsonaro. Ele rejeita totalmente um perdão institucional aos golpistas; afirma que os crimes de 8 de janeiro foram gravíssimos e que envolvem tentativa de golpe de Estado; defende punição exemplar para evitar novos ataques à democracia; e critica pedidos de perdão a Bolsonaro, afirmando que ele “não é vítima” e deve responder por seus atos.
Já Laércio Oliveira (PP) defende a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro, alinhando-se ao grupo que busca suavizar as punições e reduzir o impacto judicial sobre os investigados.


