Sergipe, historicamente lembrado por sua dimensão territorial ser a menor do país, consolida-se agora como uma das regiões mais estratégicas do Brasil na transição energética. A combinação de reservas, infraestrutura avançada e um ambiente regulatório moderno transformou o estado em um ponto de atenção para investidores, especialistas e para a própria matriz energética nacional. Hoje, mesmo sendo a menor unidade da federação, reúne elementos que o colocam na disputa com estados muito maiores, e até com outras nações, em termos de relevância para o futuro do gás natural.
Segundo dados oficiais do setor, o Brasil possui aproximadamente 704 bilhões de m³ de reservas provadas de gás natural. Dentro desse volume, Sergipe concentra cerca de 20% de todas as reservas conhecidas, superior ao de muitos países que não possuem produção própria, caso do Uruguai, que depende quase integralmente de importações. Já nações como o Chile possuem reservas modestas e forte dependência externa.
Embora a produção atual ainda esteja em fase de expansão, o estado possui um dos maiores potenciais de crescimento do Brasil. O projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), na Bacia Sergipe–Alagoas, prevê sozinho uma capacidade de produção próxima de 18 milhões de m³/dia, o que, uma vez operacionalizado, poderá reposicionar Sergipe entre os maiores produtores do país. Enquanto isso, o hub energético local se fortalece com bases como o Terminal de GNL de Barra dos Coqueiros, a Usina Termelétrica Porto de Sergipe I, uma das maiores da América Latina, e a expansão dos gasodutos criam as condições ideais para que o gás natural seja utilizado de forma integrada, desde a produção até o consumo industrial.
Além disso, o ambiente regulatório tem sido um dos principais motores do crescimento sergipano. No ranking nacional do mercado livre de gás, o Relivre, Sergipe registrou crescimento de 315% e alcançou a liderança nacional em 2025, superando estados tradicionalmente mais industrializados.
E vale destacar que um dos focos de Sergipe não é apenas extrair gás. O estado transformar o recurso em valor, empregos e industrialização. Essa estratégia, destacada pelo governo estadual, mira romper a lógica de estados que se limitam à arrecadação de royalties. A visão é utilizar o gás como vetor de desenvolvimento econômico, capaz de impulsionar novas cadeias produtivas e ancorar investimentos de longo prazo.






