O deputado federal Rodrigo Valadares (UB) classificou como “tortura institucional” o tratamento que o ex-presidente Jair Bolsonaro tem recebido enquanto está preso, após a autorização do ministro Alexandre de Moraes para que ele realize exames médicos fora da unidade da Polícia Federal.
“Nunca na história do Brasil um ex-presidente foi tratado dessa forma. Negam atendimento, humilham, perseguem e chamam isso de “justiça”. Isso não é normal, muito menos democrático, é tortura institucional”, disse.
A declaração foi publicada nas redes sociais nesta quarta-feira, 7, logo depois de Moraes autorizar que Bolsonaro seja levado ao hospital DF Star, no Distrito Federal, para a realização de exames clínicos e de imagem. Na decisão, o ministro determinou que o transporte e a segurança do ex-presidente sejam feitos de forma discreta pela Polícia Federal, com desembarque pela garagem do hospital, além de vigilância completa durante os procedimentos e no retorno à Superintendência da PF.
A autorização ocorre após Moraes ter negado, na terça-feira, 6, o pedido inicial da defesa para remoção imediata ao hospital. Na ocasião, o ministro solicitou que os advogados detalhassem quais exames seriam necessários, a fim de avaliar se poderiam ser realizados no próprio sistema penitenciário. Após a negativa, a defesa reiterou o pedido e apresentou uma lista de exames, incluindo tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma.
Bolsonaro passou mal e caiu durante a madrugada de terça, na sala onde cumpre pena. Segundo o cirurgião Claudio Birolini, o ex-presidente sofreu um traumatismo cranioencefálico leve após a queda, ocorrida poucos dias depois de receber alta hospitalar por procedimentos relacionados a uma hérnia e a um quadro de soluços. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relatou que ele bateu a cabeça em um móvel enquanto dormia, informação posteriormente confirmada por avaliação médica.
De acordo com relatório enviado pela PF ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro estava consciente, orientado e sem déficit neurológico aparente, apresentando apenas lesão superficial na face. Os médicos levantaram hipóteses como interação medicamentosa, crise epiléptica, adaptação ao uso de CPAP e processo inflamatório pós-operatório como possíveis causas da queda.


