Em 2018, Alessandro Vieira (MDB) foi uma das grandes surpresas ao ser eleito para o Senado com o apoio do eleitorado bolsonarista, já que, à época, apoiou o então presidenciável Jair Bolsonaro (PL), com um discurso fortemente pautado no combate à corrupção. Pouco tempo depois, contudo, rompeu com essa base e passou a ser visto como um traidor por parte desse eleitorado, assim como aconteceu com Lula (PT), após intensificar críticas ao ex-presidente e ao seu governo, ficando numa posição delicada, mas que agora, para 2026, tende a o deixar competitivo, vendendo uma imagem de independente para ganhar os eleitores mais moderados, de centro.
O senador, que foi “zebra” em 2018, pode surpreender novamente neste ano, especialmente na disputa pelo segundo voto. Mesmo sem repetir o apoio maciço de 2018 com os conservadores, reaparece como um nome competitivo, com espaço para crescer justamente entre os eleitores que rejeitam a polarização e observam o processo com mais cautela.
Essa competitividade leva em conta, principalmente, o seu principal cabo eleitoral: o mandato. No Senado Federal conseguiu, excepcionalmente nos últimos meses, ficar no centro dos holofotes nacionais com sua atuação na CPI do Crime Organizado, além da relatoria do PL Antifacção e da PEC da Blindagem, entre outras pautas, nas quais adotou posicionamentos técnicos que chamaram a atenção. No PL da dosimetria, no entanto, que prevê a redução de penas aos condenados no 8 de janeiro, ele alimentou o desgaste com os bolsonaristas ao se posicionar, inicialmente, contra o projeto; mas recuou logo depois e votou favoravelmente após o desgaste.
Além disso, o emedebista tem conseguido fortalecer alianças com prefeitos e outras lideranças regionais, o que, sem dúvidas, fará diferença ao longo deste ano.
As sondagens mais recentes indicam que a disputa segue indefinida e que o segundo voto ao Senado continua pulverizado. É nesse espaço que Alessandro encontra terreno fértil. Não como favorito, mas como alguém que voltou a ser considerado viável, competitivo e uma dor de cabeça para os adversários que também miram os eleitores de centro.
E, em um jogo que ainda não começou oficialmente, isso faz toda a diferença. A política costuma punir a pressa, mas raramente ignora quem sabe esperar o momento certo para voltar ao centro do jogo.


