No cenário nacional, mesmo diante da prisão, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue exercendo papel central como principal liderança da direita no país e um dos mais influentes cabos eleitorais do campo conservador para as eleições deste ano. Prova disso é o crescimento incontestável de Flávio Bolsonaro (PL). Essa realidade, inevitavelmente, tende a respingar nos estados, incluindo Sergipe, onde a polarização já começa a se desenhar de forma clara na disputa pelo Senado, em contraste com o quadro observado na corrida pelo Governo do Estado, que apresenta dinâmica distinta, onde Fábio Mitidieri (PSD) parece blindado nesse campo, por ter construído uma imagem de bom gestor sem ter a imagem ligada aos duelos ideológicos, apesar de declarar voto em Lula (PT).
Para a Casa Alta, a leitura predominante entre a classe política, aliados e interlocutores de diferentes grupos é de que o senador Rogério Carvalho (PT) desponta como favorito. Essa avaliação leva em conta diversas formas de levantamentos internos quanto o capital político acumulado pelo petista, atual líder do Governo Lula no Senado. A disputa pela segunda vaga, no entanto, tem se mostrado mais fragmentada e competitiva, reunindo nomes do campo conservador que buscam se consolidar.
Nesse contexto, Rodrigo Valadares (UB), que chegou a perder espaço nos últimos meses, reapareceu com força e voltou a figurar entre os favoritos, ocupando hoje uma posição de destaque na corrida. Ele, porém, enfrenta concorrência direta de outros nomes que também se movimentam intensamente nos bastidores, inclusive, disputando também o apoio de bolsonaristas e conservadores, a exemplo de Alessandro Vieira (MDB), Eduardo Amorim (Republicanos), André David (Republicanos) e André Moura (União Brasil), que apesar de ser visto como um nome de centro, construiu uma rejeição natural da esquerda. O esforço desses grupos tem sido concentrado, sobretudo, na conquista do eleitorado ainda indeciso e na ampliação de alianças.
E vale lembrar que, para os direitistas, especialmente os bolsonaristas, o foco é aumentar a representação no Senado, o que já deixa claro que a disputa será uma das mais intensas e polarizadas.
Já na corrida pelo Governo de Sergipe, como abordado no início do texto, o cenário é consideravelmente diferente. O governador Fábio Mitidieri (PSD) segue como favorito, sem que, até o momento, tenha surgido um adversário com musculatura política suficiente para enfrentá-lo em condições de equilíbrio. A ausência de um nome competitivo no campo oposicionista mantém o quadro mais estável e previsível em comparação à efervescência observada na corrida pelo Senado.


