Diversos fatores já têm demonstrado que o governador Fábio Mitidieri (PSD) chegará às eleições de 2026 em um cenário completamente diferente daquele observado em 2022. Naquele ano, ele era o candidato à sucessão de Belivaldo Chagas e entrou na disputa de forma relativamente tímida, ainda em processo de consolidação de imagem e liderança. Quatro anos depois, o contexto é outro: desde que assumiu o comando do Executivo estadual, o pessedista protagonizou uma verdadeira virada de chave, que hoje o coloca como franco favorito para o pleito de outubro.
O principal fator dessa mudança está na gestão. Fábio optou por um governo com forte foco em entregas concretas e visíveis à população. Na educação, o governo estadual já climatizou mais de 230 escolas da rede pública, além de ter reformado mais de 80 unidades. Na infraestrutura, a gestão tem concentrado investimentos em obras estruturantes, a exemplo dos complexos viários em Aracaju, na segunda ponte entre a capital e a Barra, além da recuperação e pavimentação de rodovias estaduais em diversas regiões do interior. Soma-se a isso o avanço do Projeto Sergipe Águas Profundas, cujo módulo 2 teve a decisão final de investimento aprovada, fruto direto da articulação política do governo, ampliando a perspectiva de exploração de óleo e gás na Bacia Sergipe-Alagoas, com potencial produtivo estimado em até 120 mil barris de óleo por dia, o que projeta impactos duradouros na economia do estado.
Sob seu governo, Sergipe também é, pelo terceiro ano consecutivo, o estado mais seguro do Nordeste, segundo dados do Ministério da Justiça, com queda histórica nos Crimes Violentos Letais Intencionais. Na economia, o estado alcançou recorde no estoque de empregos formais. O turismo também apresenta forte expansão, com a menor unidade da federação figurando entre os estados com melhor desempenho da região, além de alta expressiva na atividade econômica ligada ao setor, o que tem gerado empregos e fortalecido a cadeia produtiva local.
Esse conjunto de ações tem refletido na avaliação popular do governo. Já no campo político, Fábio se consolidou como líder do seu grupo. Enquanto a oposição segue fragmentada, sem uma liderança capaz de unificá-los, o governador conseguiu organizar o seu campo com antecedência. A ausência de consenso oposicionista sobre quem enfrentará o governo nas urnas, a esta altura do calendário, contrasta com a previsibilidade construída pelo bloco governista.
Um dos movimentos mais importantes dessa liderança foi a construção antecipada da chapa majoritária. Ao unir André Moura e Alessandro Vieira, dois nomes que são como “água e óleo” na política sergipana, Fábio demonstrou habilidade de articulação e capacidade de impor uma estratégia ao grupo. A antecipação expôs a chapa a ataques precoces, é verdade, mas também deixou clara a condução e o controle do processo político por parte do governador.
Além disso, Fábio ampliou de forma significativa sua base municipal. Hoje, conta com o apoio da maioria esmagadora dos prefeitos sergipanos, construindo um palanque capilarizado, com forte presença no interior e alinhamento administrativo. Paralelamente, fortaleceu alianças em nível nacional, podendo ser peça-chave na montagem do palanque do presidente Lula em Sergipe.
Outro fator que foi relevante para essa virada de chave é a capacidade de atração de quadros que antes orbitavam a oposição e que passaram a apoiá-lo ainda no segundo turno de 2022, a exemplo de Alessandro Vieira (MDB) e Danielle Garcia (MDB), posteriormente com Kitty Lima (Cidadania), Marcio Macedo (PT), e tendo recebido elogios até mesmo de Rodrigo Valadares (UB).
No geral, o tempo jogou a favor de Fábio Mitidieri. Gestão com entregas, aprovação em alta, liderança política consolidada e alianças bem costuradas explicam por que o governador chega a 2026 em um patamar completamente distinto daquele de 2022.

