Já tem se tornado um padrão na oposição a tentativa de vender uma imagem de unidade sempre que os bastidores escancaram fissuras, em meio a intensos jogos por poder e protagonismo. O problema é que, mais uma vez, as imagens não conseguem esconder os fatos, que se tornam cada vez mais claros e acabam soterrando qualquer tentativa forçada de encenação.
Na situação mais recente isso aconteceu com a resistência de Valmir de Francisquinho (Republicanos) em aceitar a liderança de Emília Corrêa (Republicanos), inclusive recuando de uma construção política inicialmente antecipada pelo jornalista Carlos Ferreira e pela Realce, quando o grupo tratou de publicar uma foto nas redes sociais para sinalizar coesão.
Mas esse roteiro, vale lembrar, não é novidade. Em 2024, os desgastes entre Eduardo Amorim e Valmir foram durante muito tempo negados publicamente por ambos, embora já viessem sendo apontados pela Realce nos bastidores. E a tentativa de sustentar essa relação harmônica ruiu de vez quando, em entrevista ao radialista Cléo Menezes, em Boquim, o ex-senador decidiu “jogar a verdade no ventilador” e expor, sem rodeios, as divergências e decisões que classificou como erros do prefeito de Itabaiana.
Em 2025, a oposição também recorreu à mesma estratégia ao tentar negar o duelo entre Rodrigo Valadares (UB) e o grupo dos Amorim, também revelado com exclusividade pela Realce à época. O desfecho confirmou exatamente aquilo que a revista apontava.
Inclusive, o próprio ex-senador deixou claro que, à época, o deputado bolsonarista o procurou apenas para uma foto, com o objetivo de passar uma imagem de união que, segundo ele próprio, não existia. A fotografia em questão foi publicada logo após o furo do veículo, mostrando os dois lado a lado, em um café no Mercado Augusto Franco.
Agora, mais uma vez, a dinâmica se repete, para tentar forçar a unidade e para aqueles que querem poder não saírem com prejuízo. De um lado, o núcleo ligado à prefeita de Aracaju tenta acomodar Valmir pelo peso eleitoral que ele mantém no interior, mas empurrando-o para um papel claramente secundário. Do outro, aliados admitem que o prefeito de Itabaiana não aceita ser comandado por Emília, enquanto mágoas antigas seguem longe de qualquer superação.
O mesmo esforço para sustentar uma unidade que não existe também se repetiu em Aracaju. A prefeita Emília Corrêa tentou manter a imagem de alinhamento com o vice Ricardo Marques, quando os bastidores apontavam um claro distanciamento, mas não demorou para que a verdade viesse à tona. O esvaziamento progressivo da função do vice acabou por colocar por água abaixo qualquer tentativa forçada de negar o rompimento político entre ambos.
No fim das contas, as fotos seguem sendo tiradas repetindo a mesma fórmula, mas os fatos continuam falando mais alto, e, definitivamente, não conversam entre si.


