A Realce vem antecipando, ainda desde meados de 2024, o racha da oposição em Sergipe, que passou a se digladiar em meio a intensos jogos de vaidade e disputas por poder. E tudo indica que esse processo está longe de acabar, e pode ser ainda maior do que se imagina, especialmente diante da falta de consenso para as eleições e da dificuldade do bloco em acomodar algumas de suas principais lideranças, a exemplo de Rodrigo Valadares (UB) e Ricardo Marques (Cidadania).
Essa dificuldade ficou ainda mais escancarada nos últimos dias após a ausência da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), na solenidade de lançamento da pedra fundamental do Hospital Deputado Pedrinho Valadares, em Nossa Senhora do Socorro, sobretudo pelo fato de Rodrigo ter afirmado que a gestora foi convidada. Em entrevista à imprensa, o deputado declarou que o convite foi feito a todos, que compareceu quem quis estar presente, e justificou que Emília não pôde participar por conta de outro compromisso previamente assumido. Ainda assim, o gesto foi suficiente para acender novas especulações sobre possíveis desgastes entre ambos.
Para Ricardo, mesmo que a prefeita não pudesse ter comparecido, o gesto político correto teria sido o envio de um representante, em consideração a Rodrigo. “Eu fiquei triste. Praticamente não tinha ninguém do nosso agrupamento lá”, pontuou o vice-prefeito, em entrevista ao jornalista Jeferson Souza.
Em resposta, Rodrigo reforçou publicamente o sentimento externado por Ricardo e deixou clara a dificuldade que, segundo ele, o grupo liderado por Emília tem enfrentado para acomodar suas próprias lideranças. “Eu convidei a TODOS. Obrigado por ter comparecido, Ricardo. Seguimos buscando o fortalecimento da oposição em Sergipe e a construção do palanque de Flávio Bolsonaro. Não tenho vaidades. Temos projetos pra Sergipe e pro Brasil. Isso é inegociável. Que o grupo que venceu em 24 tenha a maturidade e saiba que nenhum soldado pode ficar pra trás. Da minha parte, não deixarei ninguém pra trás. Quem estiver alinhado aos nossos princípios seguirá conosco e com nosso povo!”, escreveu o deputado em comentário na página Fato Sergipe.
Vale lembrar que este não é um fato isolado e tem atingido outras figuras do bloco oposicionista, a exemplo de Valmir de Francisquinho (Republicanos), que também não tem encontrado espaço nas principais decisões do grupo para 2026, permanecendo em posição de coadjuvante. O prefeito de Itabaiana, inclusive, também já externou publicamente sua insatisfação com a postura centralizadora de Emília e de seu entorno político.

