Não tem sido nada fácil a situação do deputado federal Rodrigo Valadares (UB) dentro do agrupamento da prefeita Emília Corrêa (Republicanos) desde que assumiu o controle do PL em Sergipe, escanteando os irmãos Amorim. Insatisfeitos com a mudança e, sobretudo, com a forma como deixaram a sigla, os ex-dirigentes passaram a manter o parlamentar na mira constante, criando um ambiente hostil de isolamento político.
Passou de apenas leitura e se tornou fato nos corredores da política que Rodrigo, embora seja hoje o principal nome da direita sergipana, tendo o apoio direto do ex-presidente Bolsonaro e de demais figuras do clã, enfrenta resistências internas para se consolidar como pré-candidato ao Senado pela oposição. De acordo com o jornalista Diogenes Brayner, sua presença efetiva nela ainda depende de uma discussão mais ampla do bloco, prevista para março, e há clara resistência a isso, atribuída à maneira como ele passou a conduzir o PL após assumir o comando da legenda.
Segundo informações, tudo isso teria ocorrido após pedido dos irmãos Amorim, que, conforme denúncias de parlamentares da oposição, a exemplo de Elber Batalha (PSB), exercem forte influência sobre a gestão municipal, praticamente comandando a prefeitura. Com isso, Emília teria abandonado o discurso inicial e deixado uma das vagas ao Senado em aberto, movimento que gerou insatisfação entre as alas mais conservadoras do seu grupo, que acompanham Rodrigo.
Recentemente, o próprio deputado deu sinais de incômodo com o cenário. Em declarações públicas à imprensa, Rodrigo defendeu que o grupo político que venceu as eleições de 2024 não pode “deixar soldados para trás”, argumentando que nomes que vêm sendo isolados precisam ter o devido reconhecimento, a exemplo dele e do vice-prefeito Ricardo Marques, que já rompeu com o grupo da prefeita Emília Corrêa após ver suas funções e espaços políticos esvaziados dentro da gestão e do bloco.
No caso de Rodrigo, por muito tempo, ele optou pelo silêncio diante das movimentações, mas passou a se posicionar com mais clareza nas últimas semanas. Em uma das falas mais duras, afirmou que o PL “não é mais berço de esquerdistas nem de lobos em pele de cordeiro”. Nos bastidores, a declaração foi interpretada como uma indireta bem direta aos irmãos Amorim e também a Valmir de Francisquinho, reforçando o clima de tensão.
Se Emília irá, de fato, manter seu apoio a Rodrigo ou se seguirá seu líder, Edivan, isso só o tempo dirá.

