É função de toda Câmara Municipal fiscalizar, cobrar explicações e zelar pelo bom uso do dinheiro público. E, em Aracaju, com o retorno dos trabalhos legislativos nesta semana, também voltaram à tona as polêmicas envolvendo a gestão da prefeita Emília Corrêa (Republicanos), eleita em 2024 prometendo “furar a bolha do sistemão”, mas que, na prática, tem enfrentado críticas cada vez mais recorrentes justamente por práticas que lembram o velho roteiro administrativo, que tanto um dia criticou.
Na Câmara Municipal de Aracaju, o vereador Fábio Meireles (PDT) usou a tribuna para fazer uma denúncia considerada grave: o possível pagamento de cerca de R$ 26 mil em diárias a um servidor municipal para uma suposta viagem internacional a Taiwan, sem que, até agora, haja comprovação de que o deslocamento tenha realmente ocorrido. O parlamentar afirmou que requerimentos aprovados ainda em 2025, solicitando documentos e esclarecimentos, venceram sem qualquer resposta por parte da gestão. O vice-líder da gestão, Lúcio Flávio, refutou o colega e apresentou imagens que comprovam a viagem.
As cobranças não pararam por aí. Também na retomada dos trabalhos, a vereadora Sonia Meire (PSOL) denunciou problemas estruturais nas escolas da rede municipal, relatando falhas na limpeza, falta de climatização, móveis quebrados e unidades que iniciaram o ano letivo sem condições adequadas.
Além dessas denúncias, também ganhou força nos bastidores a polêmica envolvendo o chamamento público da saúde, após acusações de irregularidades no processo que resultou na escolha da Fundação ABM/FABAMED como organização responsável pela gestão de serviços, denúncia que levou a Prefeitura de Aracaju, sob a gestão da prefeita, a divulgar nota de esclarecimento tentando rebater as críticas; ainda assim, o caso segue repercutindo por levantar questionamentos sobre critérios, prazos e legalidade do procedimento, ampliando o desgaste político e reforçando a sensação de que, com a volta dos trabalhos legislativos, antigas e novas denúncias voltaram a pressionar a administração municipal.
Chancela do clã-Bolsonaro
Ficou mais claro do que nunca nesta semana que Rodrigo Valadares (UB) será quem dará as cartas entre os bolsonaristas em Sergipe nas eleições deste ano, após Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, conceder ao parlamentar sergipano a chancela política e o poder de decisão no estado.
Mas quem lidera a direita?
Apesar da chancela recebida por Rodrigo, ainda há questionamentos nos bastidores sobre quem, de fato, lidera a direita em Sergipe, sobretudo diante da influência e das articulações de Edivan Amorim sobre as principais forças conservadoras do estado, a exemplo de Emília Corrêa, Valmir de Francisquinho e outros nomes.
A caixa preta
Uma das principais adversárias políticas de Emília nas urnas em 2024, Candisse Carvalho (PT) segue tirando o sono da prefeita ao usar suas redes sociais para fazer denúncias recorrentes contra a gestão municipal; por meio da série batizada de A Caixa Preta, ela tem exposto contradições e polêmicas da administração, abordando desde a falta de apoio a mulheres vítimas de violência, passando pelo uso das câmeras de videomonitoramento como reforço à chamada “indústria das multas”, até questionamentos sobre possíveis superfaturamentos em shows realizados na capital.
Encontro em Brasília
Acontecerá na próxima semana mais um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Fábio Mitidieri (PSD), em Brasília, o que já vem gerando expectativa nos bastidores e na classe política, já que ambos podem consolidar um dos palanques mais fortes do chefe do Executivo no Nordeste para as eleições deste ano.
Sem recursos
Diversos prefeitos sergipanos estiveram em Brasília ao longo desta semana em busca de recursos para seus respectivos municípios. Um deles foi o prefeito de Lagarto, Sérgio Reis, que, em entrevista à imprensa, afirmou que o deputado federal Gustinho Ribeiro ainda não destinou, até o momento, nenhum recurso para o município. O gestor se reuniu com os deputados Fábio Reis, Katarina Feitoza e Thiago de Joaldo, além dos senadores Rogério Carvalho e Alessandro Vieira. De acordo com ele, todos asseguraram recursos para áreas prioritárias como saúde, infraestrutura, educação e esporte, incluindo obras de pavimentação e melhorias urbanas.
Polêmica na Barra
Gerou ampla e negativa repercussão em todo o estado e na imprensa as declarações da vereadora Pastora Salete, da Barra dos Coqueiros, em defesa do homem acusado de matar o cachorro comunitário Zico. As falas da parlamentar a levaram a embates diretos com a deputada estadual Kitty Lima, que reagiu de forma dura, classificando a postura como um desserviço e reforçando a necessidade de punição rigorosa em casos de maus-tratos a animais.
Moana x Emília
A vereadora Moana Valadares colocou a prefeita Emília contra a parede nesta semana ao afirmar que seria uma traição a gestora voltar atrás e não apoiar Rodrigo Valadares ao Senado em 2026, compromisso que, segundo ela, foi firmado ainda em 2024. Questionada sobre o tema, a gestora reagiu classificando a fala como “infeliz”, declaração que, nas entrelinhas, foi interpretada nos bastidores como uma tentativa de deslegitimar a postura da vereadora em defesa do marido e como membro do grupo.
MDB deve formar chapa de peso
O MDB tem se fortalecido para as eleições proporcionais deste ano e, conforme informações exclusivas da Realce, pode formar uma chapa robusta para a Câmara dos Deputados, inclusive com quadros que devem deixar o PSB para reforçar a legenda. Entre os nomes cotados estão Anderson de Zé das Canas e Cláudio Mitidieri, este último apontado nos bastidores como um dos que devem figurar entre os mais votados em outubro.

