Amparado por uma gestão bem avaliada, com altos índices de aprovação popular e um cenário eleitoral totalmente diferente daquele enfrentado em 2022, Fábio Mitidieri (PSD) chega a 2026 como franco favorito à reeleição e com o apoio das principais lideranças políticas do estado. No entanto, justamente no melhor momento de seu governo, o mandatário passa a ser obrigado a ter que equilibrar mais a gestão e a política devido as divergências e trocas de ataques dos dois pré-candidatos ao Senado.
Tudo começou após entrevista concedida ontem, 11, por Alessandro na Rádio Fan FM. Questionado por um ouvinte sobre como funcionaria a convivência política entre dois pré-candidatos ao Senado com históricos e perfis opostos, o senador afirmou que a definição de palanques cabe exclusivamente ao governador. Apesar de reconhecer o mérito de Fábio por reunir apoios tão distintos, ele fez declarações duras contra André, insinuando riscos judiciais e afirmando, de forma direta, que “sempre” haveria possibilidade de problemas com a Justiça.
As falas repercutiram imediatamente, agitando a classe política justamente num período tranquilo como é o pré-Carnaval, criando diversas narrativas nos bastidores, inclusive de que AM sairia não apenas da chapa, mas do bloco governista. Moura reagiu afirmando que Alessandro agiu de má-fé, com o objetivo de confundir o eleitor, reforçando que não deve à Justiça, está apto para disputar as eleições e que o senador deveria concentrar esforços no próprio mandato e na sua pré-campanha. Em tom mais duro, declarou que o ataque ultrapassa interesses pessoais e se sobrepõe a um projeto maior, que ele também defende: a reeleição do governador. Segundo ele, quando Fábio anunciou a chapa, pediu expressamente que todos deixassem as diferenças de lado, com respeito mútuo, em nome de um objetivo comum.
Ainda de acordo com André, o governador ligou pessoalmente após a entrevista e teria deixado claro que não admitia a fala de Alessandro. Ele também afirmou publicamente à imprensa que a fala de Vieira foi “infeliz” e que “discordava totalmente”. Mesmo assim, o ex-deputado foi categórico ao afirmar que não há condições políticas de caminhar junto com o senador. “Eu não fico no mesmo palanque que estiver Alessandro Vieira”, declarou.
Ambos foram anunciados na chapa do governador ainda em 2025, diante das movimentações da oposição, o que acabou surpreendendo, sobretudo pelo histórico da relação entre os dois, marcada por trocas de ataques ao longo dos anos. Por isso, desde então, já era esperado que um conflito como o ocorrido agora surgisse mais cedo ou mais tarde, exigindo pulso firme do governador enquanto liderança, o que vem sendo reconhecido até mesmo pela oposição por sua postura que tem servido de exemplo.
Agora caberá a Fábio novamente demonstrar pulso firme para evitar que divergências pessoais se sobreponham ao bom andamento do seu governo e do projeto político que o grupo afirma defender. A forma como o governador lidará com esse conflito dirá muito sobre sua capacidade de liderança e articulação, e poderá definir se 2026 será, de fato, uma eleição fácil.

