Em janeiro deste ano, o STJ suspendeu temporariamente a condenação que tornava inelegível Valmir de Francisquinho (Republicanos) no caso do Matadouro. Antes disso, ele já havia tentado, sem sucesso, firmar um acordo com o Ministério Público, movimento que acabou sendo interpretado por muitos como um indicativo de culpa. Ainda assim, a decisão do tribunal está longe de encerrar a questão, e sua situação jurídica segue cercada de incertezas, podendo voltar a pesar negativamente junto ao eleitorado, sobretudo entre os bolsonaristas.
Para a presidente estadual do PL, vereadora Moana Valadares, os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro não podem repetir o mesmo erro do passado, em referência a 2022, quando Valmir insistiu veementemente em permanecer na corrida pelo Governo do Estado, mesmo estando inelegível.
Na época, a decisão acabou “desperdiçando” os votos da direita e deixou entre os eleitores a sensação de terem sido enganados, já que o itabaianense sustentava a todo momento que conseguiria disputar nas urnas, sem abrir espaço para que sua vice, Emília Corrêa (Republicanos), o substituísse.
O episódio, inegavelmente, abriu um rombo na direita sergipana e gerou um prejuízo político significativo, cujas sequelas ainda se refletem em um ambiente marcado por vaidades infladas e disputas internas por poder.
“Hoje a gente vive a mesma situação. Nós não podemos apostar todas as nossas fichas. Nós não podemos apostar todos os nossos sonhos que temos para Sergipe numa candidatura que está sustentada por uma liminar, que não tem força de decisão definitiva, que pode cair a qualquer momento”, disse Moana em entrevista a uma rádio local.
E agora, Valmir parece seguir o mesmo roteiro: diante de sua fragilidade e insegurança jurídica, não apenas pelo caso do Matadouro, mas também pelas dezenas de outros processos, optou por apenas se licenciar da prefeitura, em vez de renunciar de forma definitiva.


