O mês de março, marcado por campanhas de valorização e defesa dos direitos das mulheres, tem sido atravessado por uma sequência alarmante de casos de violência em Sergipe. Em um intervalo de poucos dias, o estado registrou episódios graves que acendem um sinal de alerta, tanto pela brutalidade quanto pela frequência.
Somente entre o último fim de semana e o início desta semana, vieram à tona casos em Aracaju, Capela e São Cristóvão, formando um cenário que expõe a escalada da violência de gênero no estado.
Na capital, uma mulher de 38 anos foi morta a tiros dentro de um hotel no bairro Atalaia. O principal suspeito é o companheiro, que após o crime tentou tirar a própria vida e segue internado sob custódia. No mesmo dia, em Capela, uma mulher foi assassinada a facadas dentro de casa pelo ex-companheiro, que fugiu e depois morreu em confronto com policiais.
Já em São Cristóvão, uma tentativa de feminicídio revelou um cenário ainda mais cruel. A vítima, que já possuía histórico de violência por parte do agressor, inclusive com medida protetiva, conseguiu fugir após ser atacada dentro da própria residência e passou mais de 14 horas escondida em uma área de mata até ser resgatada.
Outro episódio registrado no bairro Farolândia, em Aracaju, também chamou atenção pela violência. Um casal morreu após cair do nono andar de um prédio durante uma discussão. Informações preliminares apontam que houve agressão antes da queda, e o caso segue sob investigação para esclarecer as circunstâncias.
Os episódios recentes se somam a um número já elevado de ocorrências. Apesar de Sergipe apresentar registros menores em comparação com outras unidades da federação, ainda assim, especialistas alertam que os dados oficiais podem não refletir a total dimensão da violência. Casos de agressão muitas vezes permanecem invisíveis, seja por medo, dependência emocional ou financeira, ou pela falta de confiança em mecanismos de proteção.
Especialistas apontam que o feminicídio, na maioria dos casos, não acontece de forma repentina, sendo precedido por uma escalada de comportamentos abusivos que podem servir de alerta. Entre os principais sinais estão o controle excessivo, como monitorar redes sociais, mensagens e amizades, ciúmes constantes, tentativas de isolamento da família e amigos, mudanças bruscas de comportamento, ameaças, agressões verbais e episódios de violência física, mesmo que considerados “leves”. Também é comum que o agressor demonstre arrependimento após os ataques, criando um ciclo de violência seguido de pedidos de desculpa. Reconhecer esses padrões é fundamental para buscar ajuda o quanto antes.
Em situações de risco ou violência, a orientação é procurar canais oficiais como a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, que funciona 24 horas, além do número Polícia Militar – 190 em casos de emergência. As vítimas também podem buscar apoio nas Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAMs), na rede de assistência social dos municípios e em serviços de acolhimento, que oferecem orientação jurídica, psicológica e proteção.


