O palanque da direita em Sergipe já está definido. Mas, assim como no cenário nacional, onde o nome de Flávio Bolsonaro (PL) foi subestimado e as últimas pesquisas mostram um crescimento avassalador, com seu nome ganhando tração para chegar forte no segundo turno, mesmo ainda com a liderança de Lula (PT) na maioria dos levantamentos, a pré-candidatura de Ricardo Marques (Cidadania) ao governo do Estado também parece atravessar um processo semelhante de subestimação, sobretudo por parte de quem, até pouco tempo, estava ao seu lado e o enaltecia.
Desde que assumiu publicamente a condição de pré-candidato, representando o palanque da direita, especialmente o eleitorado bolsonarista, Ricardo passou a ser alvo de ataques de antigos aliados. Não faltaram insinuações de que sua pré-candidatura seria apenas instrumental, chegando a ser tratado como “cavalo de Troia” ou até mesmo um laranja de supostos interesses de Rodrigo Valadares (UB) na disputa.
Apesar dos ataques coordenados, como os próprios bolsonaristas afirmam, o desempenho inicial nas pesquisas de intenção de voto indica um cenário diferente do que sugerem os ex-aliados. Mesmo com pouco tempo de pré-campanha, Ricardo já aparece com percentuais competitivos, o que reforça a leitura de que seu nome pode, sim, ganhar corpo ao longo dos próximos meses e alterar o equilíbrio da disputa até outubro, atingindo o eleitorado conversador, que em 2022 esteve no primeiro turno com Valmir de Francisquinho, e o de Fábio Mitidieri, que atinge todos os vieses.
Esse potencial de crescimento de Marques se amplia, sobretudo, diante da possibilidade de entrada mais efetiva do clã Bolsonaro na pré-campanha em Sergipe. A eventual presença de Flávio no estado, prevista para este primeiro semestre, conforme afirmou Rodrigo à Realce, pode fortalecer sua conexão com o eleitorado conservador e ampliar sua capilaridade no estado.
E, caso alcance uma votação expressiva no fim das contas, especialmente se superar Valmir, que deverá definir nos próximos momentos que estará na disputa, Ricardo não apenas deixará de ser tratado como coadjuvante, como também poderá consolidar seu grupo na liderança da direita em Sergipe.


