O relatório final da CPI do Crime Organizado no Senado acabou rejeitado por 6 votos a 4 nesta terça-feira, e o desfecho rapidamente ganhou uma grande repercussão.
Relator da comissão, o senador Alessandro Vieira (MDB) afirmou que houve “intervenção direta do Palácio do Planalto” para garantir a maioria contrária ao seu parecer, apontando que a mudança na composição do colegiado horas antes da votação foi decisiva para o resultado.
Segundo Alessandro, a substituição de membros foi articulada para alterar o equilíbrio da comissão. “Se não tivesse a interferência, nós teríamos uma vitória com o mesmo placar”, declarou. A troca incluiu a saída de parlamentares como Sergio Moro e Marcos do Val, com a entrada de nomes como Beto Faro e Teresa Leitão, além da efetivação de Soraya Thronicke como titular, o que consolidou os votos necessários para a rejeição.
O parecer apresentado pelo relator previa o indiciamento de autoridades de alto escalão, incluindo os ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade. Caso fosse aprovado, o relatório poderia abrir caminho para pedidos de impeachment dessas autoridades dentro do próprio Senado.
Lideranças da esquerda criticaram duramente o conteúdo do documento. O Partido dos Trabalhadores classificou o relatório como “escandaloso”, apontando falta de consistência nas acusações e questionando a ausência de foco em estruturas do crime organizado. O senador Rogério Carvalho (PT) foi uma das lideranças que reforçaram esse posicionamento, argumentando que o texto não indicava quem, de fato, deveria ser responsabilizado, e acabava deixando de lado facções criminosas como PCC e CV.
Nas redes sociais, o episódio também dividiu opiniões. Parte dos internautas criticou o relatório por supostamente ignorar organizações criminosas e concentrar ataques em instituições, enquanto outros defenderam a rejeição como uma forma de barrar o que consideraram excessos e motivações políticas no texto. “Eu tinha admiração pela postura do senador Alessandro Vieira, hoje mudei de opinião. Ele não passa de um moleque. Relatório ridículo”, disse um. “Que decepção, achava que ele era sério”, comentou outro. “Parabéns ao senador Alessandro por mostrar o que todos os brasileiros de bem já sabem”, opinou um terceiro.

