Com a aproximação das eleições de 2026, tem se tornado cada vez mais comum observar pré-candidatos com cenários difíceis nas urnas adotando estratégias para forçar visibilidade a qualquer custo, inclusive apostando no caos e na criação de narrativas que gerem repercussão. Em Lagarto, isso tem sido visto com o deputado Gustinho Ribeiro (PP), que é hoje um dos nomes com mandato mais fragilizados na disputa por uma vaga na Câmara.
Na situação mais recente, ele voltou a tentar causar polêmica ao reforçar a narrativa de que foi o único parlamentar a destinar recursos do DNOCS para pavimentação em Lagarto, o que já foi esclarecido pelo próprio órgão, que explicou que os recursos utilizados nas obras não são provenientes de emendas individuais impositivas, como chegou a ser divulgado, mas sim de emendas de comissão, um tipo de recurso construído coletivamente no Congresso, sem possibilidade de atribuição exclusiva a um único parlamentar.
O parlamentar também voltou a fazer críticas ao prefeito Sérgio Reis (PSD), além de tentar associar a obra de pavimentação do bairro Alto da Boa Vista ao seu mandato. Mas segundo Fábio Reis (PSD), a execução da obra faz parte de um conjunto de ações viabilizadas com apoio do senador Rogério Carvalho (PT), dentro do que chamou de maior programa de pavimentação já realizado na cidade.
O movimento de Gustinho, portanto, tem sido interpretado nos bastidores como uma tentativa de gerar barulho político diante de um cenário eleitoral cada vez mais desfavorável. Já circulam, inclusive, apostas em índices de votação extremamente baixos para o deputado. Por isso, ele teria precisado mendigar em Brasília, buscando apoio do senador Laércio Oliveira (PP) e do governador Fábio Mitidieri (PSD) para conseguir se encaixar em uma chapa com alguma competitividade.
No entanto, em sua nova chapa, há nomes como Levi e Capitão Samuel, que despontam com força dentro da Federação União Progressistas, com grande potencial de ocupar o espaço hoje ameaçado de Gustinho na Câmara.
Por isso, cresce a avaliação de que Gustinho tem apostado nesses movimentos mais ruidosos para aparecer, numa estratégia comum entre políticos que ainda estão começando ou que já começam a dar sinais de desgaste. É o tipo de comportamento de quem precisa fazer muito barulho, ou até gritar, para conseguir ser ouvido, como sugere uma leitura clássica da filosofia de Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche.


