Apesar de historicamente figurarem entre os partidos mais competitivos da política sergipana, tanto o PT quanto o PL chegam ao cenário proporcional de 2026 cercados de incertezas e com riscos reais de não conquistarem nenhuma vaga na Câmara Federal. Nos bastidores, lideranças das duas legendas já admitem preocupação com o coeficiente eleitoral e com a falta de uma chapa suficientemente robusta para garantir cadeiras.
No PT, o cenário é visto como delicado quando comparado à eleição passada. Em 2022, o partido contou com nomes como João Daniel, Eliane Aquino e Dandara. Desta vez, além de João Daniel, também conta com Andresa Nascimento e Carminha Paiva, e o principal nome é Márcio Macedo, que, segundo avaliações internas, ainda não demonstrou estrutura eleitoral suficiente para a disputa proporcional.
A análise dentro do próprio grupo petista é de que Márcio pode não repetir sequer metade do desempenho eleitoral obtido por Eliane Aquino na última eleição, quando ela teve 66.072 votos. E como passou grande parte do período tentando viabilizar uma projeção para o Senado, ele não teria construído uma base política sólida para a Câmara Federal. Além disso, interlocutores avaliam que o ex-ministro não possui o mesmo apelo eleitoral da ex-vice-governadora junto ao eleitorado sergipano, o que poderia acabar atrapalhando o desempenho da chapa. Informações exclusivas apontam, inclusive, que já há a possibilidade de desistência da candidatura.
Já no PL, o cenário também é tratado com cautela. A principal aposta proporcional do grupo liderado por Rodrigo Valadares é a vereadora Moana Valadares, que ganhou destaque em Aracaju pela defesa de pautas conservadoras e pelo alinhamento ao bolsonarismo. Apesar da projeção política, a avaliação interna é de que ela dificilmente conseguiria, sozinha, puxar votos suficientes para garantir o coeficiente eleitoral exigido.
Foi justamente diante desse temor que cresceu nos últimos dias a possibilidade de Luizão Dona Trampi disputar uma vaga na Câmara Federal. Dentro do partido, o entendimento é de que a ausência de outro nome com forte potencial eleitoral pode inviabilizar o desempenho da chapa. Luizão, que obteve 18.291 votos em 2022 e conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa, passou então a ser tratado como peça estratégica para tentar evitar um fracasso do PL na corrida proporcional.


