O debate sobre o fim da escala 6×1 e a possível redução da jornada de trabalho segue no centro das discussões políticas no Brasil e já começa a movimentar também o cenário eleitoral de 2026 em Sergipe. E com o tema cada vez mais ganhando repercussão, a reportagem da Realce reuniu os posicionamentos de nomes que devem disputar uma vaga ao Senado pelo estado nas eleições deste ano. Entre defesa do fim da escala, críticas ao modelo atual e discursos voltados à flexibilização das relações de trabalho, eles apresentaram diferentes visões sobre o assunto. Procurados, apenas Eduardo Amorim (Republicanos) e André David (Republicanos) não se posicionaram. O espaço segue aberto.
Coronel Rocha (PL)
O pré-candidato Coronel Rocha, em conversa com a revista, criticou a discussão sobre o tema em período pré-eleitoral e classificou a proposta como “inoportuna e eleitoreira”.
Rocha afirmou defender uma relação de trabalho “mais moderna, flexível e justa”, com liberdade para que o trabalhador escolha sua jornada de acordo com sua realidade. Segundo ele, propostas que reduzem a jornada podem gerar aumento de custos, desemprego e dificuldades para pequenos negócios.
O pré-candidato também disse seguir proposta apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que prevê remuneração proporcional às horas trabalhadas, mantendo direitos como férias, FGTS e 13º salário.
Rogério Carvalho (PT)
Um dos principais aliados do presidente Lula (PT) no Congresso, o senador Rogério Carvalho é um dos defensores históricos do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.
Ele chegou a relatar uma das PECs sobre o tema no Senado e tem defendido que o debate leve em consideração o “lado humano” da discussão, especialmente em relação às mulheres que acumulam jornadas profissionais e domésticas.
O senador também rebate críticas de que a redução da jornada prejudicaria a economia. Em seus discursos, costuma citar exemplos históricos, como a implementação do 13º salário e a redução da jornada de 48 para 44 horas na Constituição de 1988, afirmando que mudanças semelhantes não provocaram desemprego nem colapso econômico.
Rodrigo Valadares (PL)
O deputado federal e pré-candidato ao Senado, Rodrigo Valadares, se envolveu recentemente em polêmica após repercussão de sua assinatura em uma emenda que previa mudanças relacionadas ao debate da escala 6×1.
Após críticas nas redes sociais, ele divulgou um vídeo afirmando que nunca votou contra os trabalhadores e alegando que informações divulgadas sobre o tema seriam falsas. Segundo o parlamentar, não houve votação sobre a proposta e a discussão ainda estaria em andamento.
O deputado afirmou ainda que entende que a escala 6×1 é “desumana” para o trabalhador, mas defendeu que eventuais custos da mudança sejam compensados pelo governo e não apenas pelos empregadores. Também criticou o modelo atual da CLT, afirmando que ele estaria “engessado” e distante da realidade das novas gerações.
Rodrigo também defendeu maior liberdade para acordos trabalhistas, incluindo modelos de jornada mais flexíveis e possibilidade de contratos diferenciados entre empregado e empregador.
André Moura (UB)
Em entrevista exclusiva à Realce, o ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado, André Moura, afirmou ser favorável ao fim da escala 6×1, mas defendeu que a mudança venha acompanhada de incentivos para micro, pequenos e médios empreendedores.
André classificou o atual modelo como “perverso” e afirmou que o trabalhador precisa ter mais tempo para a família, lazer, descanso e qualidade de vida. “Eu sou favorável à escala 5×2. Acho que a escala 6×1 é muito perversa e tem que acabar”, declarou.
O ex-deputado também destacou preocupação com os pequenos negócios, afirmando que são eles os principais responsáveis pela geração de empregos no país. Segundo ele, o governo precisaria reduzir impostos, ampliar linhas de crédito e criar mecanismos de apoio para que os empreendedores consigam absorver os impactos da mudança.
Alessandro Vieira (MDB)
O senador Alessandro Vieira apoia a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, mas defende que a transição ocorra de forma cautelosa.
Segundo Alessandro, o Brasil precisa ampliar investimentos em produtividade, qualificação profissional e tecnologia para conseguir implementar mudanças sem prejudicar a economia. O senador também costuma destacar a necessidade de proteger micro e pequenos empreendedores durante esse processo.
Edvaldo Nogueira (PDT)
O ex-prefeito de Aracaju e pré-candidato ao Senado, Edvaldo Nogueira, afirmou com exclusividade à Realce ser favorável ao fim da escala 6×1 e defendeu que a mudança seja construída com diálogo e responsabilidade.
Segundo Edvaldo, o trabalhador merece mais qualidade de vida, tempo para descanso, convivência familiar e cuidados com a saúde física e mental. O pedetista também afirmou acreditar que a mudança para uma escala 5×2 pode abrir novas perspectivas para geração de empregos, já que alguns setores precisariam ampliar suas equipes.
Apesar disso, defendeu que a transição seja feita de maneira planejada, garantindo proteção aos trabalhadores e segurança para os empreendedores.
Iran Barbosa (PSOL)
O vereador Iran Barbosa é um dos principais nomes na capital em defesa do fim da escala 6×1 e tem utilizado a tribuna da Câmara Municipal para defender a pauta.
Iran destacou dados de pesquisas que apontam crescimento do apoio popular à proposta e afirmou que o debate representa “o interesse do povo brasileiro”. O parlamentar também criticou setores políticos e empresariais que atuam contra a redução da jornada.
Durante seus discursos, costuma comparar a resistência atual ao fim da escala 6×1 com críticas históricas feitas contra conquistas trabalhistas como o 13º salário e o fim da escravidão. O vereador também cita exemplos internacionais de países que já adotam jornadas reduzidas com bons indicadores econômicos e sociais.


