Já tem refletido em Sergipe a divisão da direita com relação a quem representará o bolsonarismo na disputa presidencial diante das recentes polêmicas envolvendo o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL), o que fez alimentar especulações de um possível recuo em sua pré-candidatura.
No estado, algumas lideranças bolsonaristas já têm defendido o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como alternativa, como é o caso do senador Laércio Oliveira (PP) e do ex-deputado e pré-candidato a deputado federal Capitão Samuel (UB).
Laércio, em entrevista ao jornalista Jozailto Lima, afirmou que o cenário atual acabou fragilizando o campo conservador e citou possibilidades como uma eventual chapa encabeçada pela senadora Tereza Cristina (PP), tendo Michelle como vice. O parlamentar também mencionou o governador Ronaldo Caiado (UB) como opção para representar a direita.
Já Capitão Samuel provocou forte repercussão entre setores bolsonaristas ao defender diretamente o nome de Michelle Bolsonaro para a Presidência. Ele afirmou que a ex-primeira-dama teria maior força junto ao eleitorado evangélico e sofreria menos ataques durante a campanha por ser mulher. A declaração gerou reação imediata de aliados do deputado federal Rodrigo Valadares (PL), principal representante do bolsonarismo raiz em Sergipe.
A repercussão foi tão intensa que Simone Valadares, mãe de Rodrigo, chamou Capitão Samuel de “melancia” nas redes sociais, termo frequentemente utilizado por setores da direita para criticar figuras consideradas conservadoras apenas no discurso. E esse episódio acabou escancarando mais uma disputa no agrupamento bolsonarista no estado.
Em contraponto às movimentações, Rodrigo tem adotado um discurso de fidelidade absoluta ao projeto de Flávio Bolsonaro. O deputado federal afirmou recentemente que “não existe plano B” dentro do bolsonarismo e declarou que nunca houve qualquer cogitação interna sobre outro nome para representar o grupo em 2026. Segundo ele, os rumores estariam sendo estimulados por setores da direita interessados em herdar os votos do bolsonarismo sem apoiar diretamente o projeto político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar da divisão entre os grupos que defendem Flávio ou Michelle, o entendimento predominante entre as lideranças conservadoras é de que o nome apoiado pelo bolsonarismo em 2026 deve obrigatoriamente carregar o sobrenome Bolsonaro.

