Parte da oposição vinha insistindo há bastante tempo na narrativa de que o governador Fábio Mitidieri (PSD) caminharia para vencer as eleições de 2026 por W.O. Um discurso criado pelo próprio agrupamento oposicionista, muito mais pela dificuldade de consolidar um nome realmente competitivo do que propriamente por ausência de disputa política no estado. Até aqui, porém, o cenário continua amplamente favorável ao mandatário, algo refletido nas pesquisas em que aparece com larga vantagem e sustentado, principalmente, pela força de sua própria gestão como principal cabo eleitoral.
E é justamente nesse ponto que entra um dos fatores mais perigosos para a oposição: o peso das obras estruturantes. A gestão de Fábio chegou em 2026 com grandes intervenções físicas espalhadas pelo estado, muitas delas altamente visíveis para a população.
Um exemplo é o Complexo Viário Senadora Maria do Carmo Alves, em Aracaju, considerado pelo próprio governo como a maior obra urbana da capital nas últimas décadas. O empreendimento ultrapassa R$ 318 milhões em investimentos e inclui viaduto, ponte estaiada, ciclovias e novos acessos viários entre regiões estratégicas da cidade. A obra se transformou numa espécie de vitrine da gestão, justamente por buscar solucionar um dos problemas mais sentidos da população aracajuana: a mobilidade urbana. A entrega parcial do viaduto ocorreu no fim do último mês.
O governo também já avançou na nova ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros, projeto ligado ao Novo PAC e com investimento de aproximadamente R$ 838 milhões assegurados pelo Governo Federal. Além disso, a gestão tem apostado fortemente na recuperação e ampliação da malha rodoviária estadual através do Pró-Rodovias, programa que já movimenta cifras bilionárias e alcança dezenas de municípios.
Recentemente, o cenário ganhou ainda mais força com os anúncios feitos pelo governador e pelo presidente Lula durante a passagem do petista por Sergipe. O pacote inclui mais de R$ 72 bilhões em investimentos ligados ao setor de petróleo, gás e fertilizantes, além da retomada da Fafen, consolidando Sergipe como uma das principais apostas energéticas do país para os próximos anos, algo que vem sendo defendido há anos por Fábio. Paralelamente, também avança a discussão sobre a implantação do VLT ligando municípios da Grande Aracaju, projeto que pode transformar completamente a mobilidade urbana da região metropolitana e que passou a integrar o discurso de modernização da infraestrutura estadual.
Outro ponto que pesa é que boa parte dessas obras dialoga diretamente com o futuro econômico de Sergipe. O governo tem vinculado os investimentos em infraestrutura à preparação do estado para o novo ciclo do petróleo e gás, especialmente com o projeto Sergipe Águas Profundas.
Além disso, existe um fator político que a oposição parece ainda subestimar: grandes obras criam sensação de movimento. Mesmo quem eventualmente possui críticas à gestão acaba percebendo intervenções acontecendo simultaneamente em várias regiões, o que ajuda a fortalecer a percepção de presença do governo. E em eleições estaduais, isso costuma ter impacto direto principalmente no eleitor mais moderado, que muitas vezes vota menos por alinhamento ideológico e mais pela sensação de eficiência administrativa.


