Como já abordado pela Realce, o nome de Priscila Felizola (Republicanos) pode ser confirmado a qualquer momento como pré-candidata a vice-governadora na composição de Valmir de Francisquinho (Republicanos) ao Governo do Estado e, nos últimos dias, recebeu apoio explícito da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), que agora passa a ser uma das apoiadoras para que a companheira de chapa do itabaianense seja indicação do ex-governador Belivaldo Chagas, a quem um dia tanto criticou.
A movimentação chama atenção porque Emília construiu sua trajetória política em Sergipe defendendo justamente “furar a bolha” do que classificava como o “sistema”. Durante anos, a prefeita, ainda enquanto vereadora, fez oposição ao grupo liderado por Belivaldo e agora, ao declarar que Priscila “tem a anuência do grupo, do qual faço parte”, sinaliza apoio a uma composição que aproxima seu campo político de uma das lideranças que por muito tempo representou aquilo que ela tanto afirmava combater. Em 2018, por exemplo, quando era pré-candidata ao Senado pelo Patriota, ao reafirmar que era oposição ao Governo do Estado, frisou que “precisamos afastar os corruptos do poder”.
No caso de Valmir, a contradição é ainda mais clara. Foi justamente o embate com Belivaldo que ajudou a impulsionar sua projeção estadual. O ex-prefeito de Itabaiana deixou claro em diversas ocasiões que considerava o então governador um dos responsáveis pela articulação que culminou em sua prisão, episódio que passou a ser tratado por seus aliados como um caso de perseguição política. A narrativa ganhou força em todo o estado e transformou Valmir em um dos principais nomes da oposição sergipana, mesmo após sua posterior declaração de culpa em tentativa de acordo com o Ministério Público no caso de corrupção em Itabaiana com o matadouro.
Por outro lado, Belivaldo também nunca poupou críticas ao itabaianense. Durante os momentos mais tensos da disputa política, os dois protagonizaram trocas de acusações públicas e estiveram em lados opostos dos principais debates estaduais. Agora, a possibilidade de uma chapa que tenha como vice um nome ligado diretamente ao ex-governador evidencia uma reaproximação impensável até pouco tempo atrás. E caso a composição seja oficializada, Emília e Valmir terão o desafio de explicar ao eleitorado como conciliar o discurso de enfrentamento ao sistema e de perseguição política com uma aliança que passa justamente por um dos personagens centrais dessas narrativas. Ou seja, uma grande contradição de ambos e que deve impactar e muito seus respectivos projetos de poder.
Inclusive, como já abordado pela revista, as informações são de que aliados de Valmir avaliam que essa construção com o ex-governador pode provocar um desgaste irreversível no discurso de “quebra do sistema” adotado por ele em 2022. Segundo fontes, lideranças com poder de decisão no agrupamento seriam contra essa aliança, justamente por enxergarem o risco do crescimento do sentimento de incoerência política junto ao eleitorado que aderiu à narrativa de enfrentamento ao “sistemão”.


