O vereador de Aracaju Fábio Meireles (PDT) criticou duramente a condução da prefeita Emília Corrêa (Republicanos) no processo de definição dos limites territoriais entre Aracaju e São Cristóvão. À Realce, o parlamentar afirmou que a gestora criou expectativa na população ao autorizar obras em áreas que, poucos dias depois, foram incluídas no acordo técnico que reconhece a transferência de parte do território para o município vizinho.
Segundo o vereador, um dos principais exemplos é a Orlinha Pôr do Sol, localizada no Mosqueiro. Meireles lembrou que a Prefeitura de Aracaju assinou uma ordem de serviço para a reforma do equipamento, estimada em cerca de R$ 800 mil, mas, aproximadamente dez dias depois, firmou o acordo que contempla a transferência de localidades como Mosqueiro, Matapuã e outras áreas para São Cristóvão. “Como é que ela dispara uma ordem de serviço colocando no coração das pessoas a reforma de toda aquela estrutura e, dias depois, passa todo aquele território para São Cristóvão? Isso não foi algo de bate e pronto, foi algo pensado. A falta de cuidado e de zelo da administração pública é gritante”, declarou.
A disputa territorial entre os dois municípios se arrasta há anos e ganhou um novo capítulo neste mês, quando Aracaju e São Cristóvão firmaram um acordo técnico durante audiência de conciliação na Justiça Federal. O documento, elaborado com base em estudos cartográficos e técnicos, estabelece uma proposta consensual para os limites entre os municípios e será submetido às etapas seguintes do processo judicial. A definição busca encerrar um impasse histórico envolvendo localidades da Zona de Expansão e dar segurança jurídica para a prestação de serviços públicos e a arrecadação tributária.
Durante a conversa, Meireles também questionou a postura da prefeita em relação aos moradores das áreas afetadas. Segundo ele, Emília promoveu reuniões anteriormente para defender a permanência de localidades em Aracaju, mas não voltou a dialogar com a população antes da assinatura do acordo. “As pessoas estão nos procurando e se sentem órfãs. Por que ela não reuniu novamente os moradores para explicar que iria documentar essa mudança? Vamos discutir esse assunto no retorno dos trabalhos da Câmara e buscar uma forma de ajudar toda aquela região”, concluiu o vereador.


