A disputa pelo Governo de Sergipe começa a deixar cada vez mais claro o caminho escolhido pelos principais candidatos para tentar conquistar o eleitor em outubro. Enquanto Fábio Mitidieri (PSD) aposta nas entregas da gestão e tem os resultados do governo como seu principal cabo eleitoral, Valmir de Francisquinho (Republicanos) tenta recuperar o discurso sensacionalista e populista que marcou sua campanha de 2022. Ricardo Marques (PL), por sua vez, abraça o bolsonarismo e aposta na força desse eleitorado para consolidar sua candidatura.
Fábio chega à campanha com uma vantagem própria de quem ocupa o Governo, com a possibilidade de apresentar obras, investimentos e ações executadas ao longo do mandato. É nessa “vitrine administrativa” que sua estratégia vem sendo construída, contrapondo resultados concretos às críticas e o que chamou de “fake news” dos adversários. O desempenho aparece refletido em diferentes levantamentos, que colocaram o governador na liderança da corrida pelo Palácio dos Despachos, com vantagem sobre todos possíveis adversários, disparado como favorito.
Valmir tenta percorrer um caminho diferente. O ex-prefeito de Itabaiana tem recorrido novamente ao discurso que marcou sua candidatura em 2022. A diferença é que, quatro anos depois, chega à disputa carregando desgastes, polêmicas e mais escândalos, além de uma ainda maior insegurança jurídica. Nesse cenário, repetir simplesmente a fórmula eleitoral de 2022 não vai surtir efeito, principalmente porque o próprio Valmir de 2026 chega ao eleitor em circunstâncias políticas diferentes das enfrentadas naquela eleição.
Ricardo Marques, por outro lado, busca ocupar de maneira mais explícita o espaço do bolsonarismo em Sergipe. Candidato do PL, ele foi apresentado como o nome do clã Bolsonaro para o Governo dentro do palanque estadual alinhado a Flávio Bolsonaro e tenta converter isso em força eleitoral. Seu desafio será fazer com que a confiança do eleitorado bolsonarista se transforme em competitividade numa disputa estadual.
São estratégias diferentes que, daqui até outubro, serão colocadas à prova pelo eleitor sergipano.

