Conhecido eleitoralmente como “Bolsonaro Sergipano”, Francisco Olinda de Assis volta às urnas em 2026, desta vez como candidato a deputado estadual pelo PL. O nome que ajudou a construir sua identidade política nas últimas eleições, entretanto, entra novamente no centro de uma discussão nacional sobre os limites para candidatos utilizarem “Bolsonaro” no nome de urna sem terem qualquer vínculo familiar com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Francisco não é estreante nessa estratégia. Em 2020, disputou uma vaga de vereador em Aracaju pelo PSC identificado como Bolsonaro Sergipano. Dois anos depois, concorreu a deputado estadual pelo Patriota utilizando oficialmente “Bolsonaro Sergipano” como nome de urna. Em 2024, novamente candidato a vereador da capital, dessa vez pelo Avante, repetiu a fórmula. Agora filiado justamente ao PL, partido de Jair Bolsonaro, ele tenta chegar à Assembleia Legislativa de Sergipe mantendo essa mesma identificação.
A estratégia, porém, enfrenta um cenário diferente em 2026. Levantamento publicado pelo Metrópoles nesta quarta-feira, 12, aponta que pelo menos 17 candidatos pelo país registraram candidaturas utilizando “Bolsonaro” sem que o sobrenome conste em seus registros civis. Em São Paulo, o Ministério Público Eleitoral já pediu o indeferimento de alguns desses nomes por entender que a utilização pode gerar dúvida sobre a identidade do candidato e induzir o eleitor a acreditar na existência de algum vínculo familiar.
A legislação eleitoral permite que o candidato utilize prenome, sobrenome, apelido ou o nome pelo qual seja conhecido, mas estabelece que a escolha não pode provocar dúvida sobre sua identidade. É justamente nesse ponto que está a discussão que pode atingir o Bolsonaro Sergipano. Embora Francisco Olinda já tenha disputado eleições anteriores com a alcunha, decisões sobre outros candidatos em 2026 mostram que o uso do sobrenome do ex-presidente está sob maior questionamento da Justiça Eleitoral. Caberá, portanto, à análise do registro definir se o nome que acompanha Francisco há três eleições poderá aparecer novamente nas urnas sergipanas.


