A direita sergipana tem repetido um cenário que também pode ser observado nacionalmente: enquanto tenta se fortalecer eleitoralmente contra a esquerda, enfrenta uma disputa interna cada vez maior por espaço, protagonismo e pelo direito de dizer quem realmente representa esse campo político. E, quando se observa o histórico recente em Sergipe, dois nomes aparecem no centro da maior parte desses embates: Rodrigo Valadares (PL) e Valmir de Francisquinho (Republicanos). Juntos, eles já direcionaram críticas e ataques a diversas lideranças que estão ou estiveram no mesmo bloco.
Rodrigo aparece com pelo menos sete nomes nessa lista: André David (Republicanos), Alessandro Vieira (MDB), Emília Corrêa (Republicanos), Edivan Amorim (Republicanos), Eduardo Amorim (Republicanos), Valmir de Francisquinho (Republicanos) e Lúcio Flávio (PL). No caso dos três primeiros adversários diretos na corrida pelo Senado, ele tem aumentado o tom principalmente para questionar o posicionamento deles enquanto representantes da direita. Entre as cobranças estão pautas consideradas essenciais pelo deputado para quem busca o voto bolsonarista, como a defesa da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e posições mais duras contra o Supremo Tribunal Federal.
Com Edivan Amorim, a relação findou principalmente após a queda de braço pelo comando do PL em Sergipe. Desde então, os dois não têm se poupado, e Rodrigo passou a utilizar até a expressão “direita melancia”, verde por fora e vermelha por dentro, para atacar aqueles que, na avaliação dele, tentam se apresentar como conservadores sem defender as principais bandeiras desse eleitorado. Isso valeu também para Valmir e Emília após o rompimento entre os grupos. Já Lúcio Flávio entrou nessa relação depois de deixar o comando do PL em Aracaju para priorizar sua atuação como vice-líder da prefeita na Câmara Municipal.
Valmir de Francisquinho, por outro lado, chama atenção por protagonizar fogo amigo até mesmo contra quem continua ao seu lado. Edivan, Eduardo e Emília Corrêa já foram alvos de provocações e divergências públicas do itabaianense, apesar de hoje continuarem integrando o mesmo agrupamento. Parte dessas feridas vem desde 2022, quando ele manteve sua candidatura ao Governo mesmo diante dos problemas jurídicos e não abriu espaço para que Emília, então candidata a vice, assumisse a cabeça da chapa, num gesto visto como vaidoso. O episódio aumentou as divergências internas e deixou marcas em uma relação que, apesar da manutenção da aliança, passou a conviver com uma clara disputa por espaço. Até mesmo Adailton Sousa não escapou do fogo amigo do líder em Itabaiana, ficando até mesmo na mira de uma CPI na cidade após declarações polêmicas do ex-prefeito.
Depois do rompimento com o grupo, Rodrigo e Ricardo também passaram a ser alvos de Valmir. O itabaianense endureceu as críticas contra o novo projeto do PL e chegou a tratar Ricardo como uma espécie de candidatura “laranja” de Rodrigo ao Governo, numa tentativa de atingir diretamente a construção do novo palanque bolsonarista no estado.


