Por muito tempo, Valmir de Francisquinho (Republicanos) conseguiu sustentar o discurso de que era vítima de perseguição política e de que havia um sistema empenhado em “destruí-lo”. Nos últimos anos, porém, esse argumento caiu por terra e passou a ser confrontado pelos próprios fatos e ações do ex-prefeito.
Enquanto afirma sofrer tentativas de silenciamento, o ex-prefeito e seu partido têm recorrido constantemente à Justiça contra adversários, vereadores e conteúdos jornalísticos críticos à sua atuação, alimentando acusações de que não estariam dispostos a conviver com o contraditório, apelando para uma possível censura.
Todas as matérias que citam ele, Emília ou os irmãos Amorim estão sendo judicializadas. Nos bastidores, a informação é de que esse seria o modus operandi de Edivan, que tenta cansar os adversários recorrendo à Justiça. No entanto, ao tentar utilizar o Judiciário como ferramenta nessa estratégia, o tiro pode sair pela culatra, pois, em vez de desgastar os adversários, ele pode acabar sobrecarregando a própria Justiça.
O jornalista Flavão Fraga chegou a destacar, nos últimos dias, que a máscara de Valmir começou a cair, uma vez que o ex-prefeito estaria contrariando o próprio discurso de vítima ao promover perseguições implacáveis. Um dos casos mais recentes envolve o prefeito de Malhador, Assisinho, que foi alvo de uma representação judicial apresentada pela coligação ligada ao itabaianense após participar da convenção partidária que homologou a candidatura à reeleição do governador Fábio Mitidieri (PSD). Segundo o gestor, a iniciativa foi uma tentativa de fazê-lo recuar. “Querem me intimidar, querem que eu recue, eu não vou recuar. Eu respeito a Justiça, vou me defender”, declarou.
O vereador de Aracaju, Fábio Meireles (PDT), também foi um dos alvos. Após conceder entrevista à Realce e a outros veículos afirmando que os sergipanos precisavam conhecer o histórico de Valmir “para que o mal que aconteceu em Itabaiana não aconteça em Sergipe”, o Republicanos acionou a Justiça Eleitoral e conseguiu a retirada de um dos vídeos das redes sociais.
Dias antes, situação semelhante havia atingido o vereador de Itabaiana Alex Henrique (UB). Também por decisão judicial, conteúdos publicados por ele foram retirados do ar após representação do Republicanos. E à Realce, ele afirmou que respeita a decisão, mas já recorreu. Mais do que isso, fez um alerta ao que considera uma escalada contra quem critica o grupo político de Valmir. “Hoje é Alex. Amanhã pode ser qualquer jornalista ou qualquer veículo de imprensa”, afirmou. Segundo o vereador, há uma tentativa de intimidar quem denuncia fatos ou faz críticas ao pré-candidato.
Na mesma declaração, Alex foi ainda mais duro ao afirmar que Valmir representa “um atraso para Itabaiana”, citando o fechamento de escolas, a redução do número de conselheiros tutelares, problemas em unidades de saúde e outras críticas à gestão do ex-prefeito.
Os episódios não são isolados. Nos últimos anos, diferentes figuras, sejam elas lideranças políticas ou profissionais de imprensa, relataram terem sido acionados judicialmente após críticas direcionadas a Valmir. Embora recorrer ao Poder Judiciário seja um direito garantido a qualquer cidadão, adversários avaliam que a repetição dessas medidas produz um efeito de intimidação sobre o debate público, principalmente em pleno período eleitoral, algo que um dia ele tanto criticou no seu frágil discurso vitimista.


