Se existe uma disputa em Sergipe que sofreu mudanças de curso significativas ao longo da pré-campanha, é a corrida pelo Senado. Diferentes nomes conseguiram, em momentos distintos, criar chances reais de vitória, enquanto outros mantiveram posições competitivas por períodos mais longos.
Rogério Carvalho (PT) é o nome com maior capilaridade até aqui, reunindo como trunfos o apoio do presidente Lula, uma grande aliança com prefeitos e lideranças por todo o estado, a força de seu mandato que já direcionou mais de R$ 2 bilhões de recursos para o estado, além de seu protagonismo nacional. André David (Republicanos) e Alessandro Vieira (MDB), como abordado em nossa última edição do Giro Político, também estiveram entre os personagens recorrentes desse cenário competitivo, ao mesmo tempo em que André Moura (UB), que chegou a atravessar uma situação mais delicada, voltou a demonstrar força e entrou definitivamente na briga.
E a corrida ainda está suscetível a mudanças. Um dos componentes que deve pesar bastante é o viés ideológico, tendo em vista que a expectativa é de que a disputa ganhe reflexos da polarização nacional, especialmente considerando o engajamento dos principais presidenciáveis, Lula e Flávio Bolsonaro, nas campanhas de Rogério e Rodrigo, respectivamente.
Essa nacionalização pode favorecer uma divisão mais clara do eleitorado entre campos políticos, mas não elimina o espaço dos demais candidatos, sobretudo porque os levantamentos realizados até aqui mostram uma corrida bastante fragmentada na direita.
É justamente aí que entram outros fatores capazes de definir as vagas. O apoio de prefeitos e lideranças municipais, a estrutura política montada no interior, o tamanho das alianças partidárias e a capacidade de cada candidato de transformar esses apoios em presença efetiva nos municípios deverão ter peso considerável.


