Em tempos de redes sociais, vídeos curtos e campanhas cada vez mais digitais, o horário eleitoral pode até ter perdido parte do protagonismo que teve no passado, mas está longe de deixar de ser uma peça importante em uma eleição. Em Sergipe, a própria história recente mostra que o tempo de rádio e televisão sempre teve peso na construção das candidaturas ao Governo, principalmente por permitir que os candidatos apresentem propostas, contem sua trajetória e cheguem diariamente a uma parcela do eleitorado que nem sempre acompanha a política pelas redes sociais. E um detalhe chama atenção: nas três últimas eleições estaduais, quem teve o maior tempo de TV acabou vencendo a disputa pelo Governo.
Em 2014, por exemplo, Jackson Barreto, então candidato à reeleição, entrou no horário eleitoral com o maior espaço entre os postulantes: 8 minutos e 52 segundos. Seu principal adversário, Eduardo Amorim, tinha 7 minutos e 3 segundos, uma diferença de 1 minuto e 49 segundos. Os demais candidatos ficaram com espaços bem menores, na casa de pouco mais de um minuto. Naquele ano, Jackson venceu a eleição ainda no primeiro turno, com 53,52% dos votos válidos.
Quatro anos depois, o cenário voltou a colocar o então candidato governista em posição privilegiada na televisão. Em 2018, Belivaldo Chagas, que disputava a reeleição, ficou novamente com o maior espaço no horário eleitoral. Eduardo Amorim apareceu com o segundo maior tempo e Valadares Filho veio na sequência. Ao final do primeiro turno, Belivaldo terminou na liderança, com 40,84% dos votos, contra 21,49% de Valadares Filho e 20,50% de Eduardo. No segundo turno, ampliou a vantagem e foi eleito com 64,72% dos votos válidos.
Em 2022, Fábio Mitidieri (PSD) entrou na disputa com o maior tempo de propaganda entre os principais candidatos, com aproximadamente 4 minutos e 11 segundos e também venceu a eleição daquele ano.
É claro que tempo de televisão, sozinho, nunca ganhou eleição. Estrutura política, alianças, rejeição, capacidade de mobilização, desempenho nos debates, campanha de rua e, cada vez mais, força nas redes sociais também pesam. Mas o histórico mostra que possuir um espaço maior permite construir uma narrativa com muito mais facilidade. Quem tem quatro minutos consegue apresentar uma obra, mostrar um depoimento, responder a um adversário e ainda falar de propostas. Quem dispõe de poucos segundos precisa escolher praticamente uma única mensagem para cada programa.
E é justamente por isso que a divisão de 2026 ganha importância. A Justiça Eleitoral definiu que a coligação Sergipe Cresce com Você, do governador Fábio Mitidieri, terá 4 minutos e 43 segundos por bloco, o maior tempo entre todos os candidatos ao Governo. Ricardo Marques (PL) terá 2 minutos e 17 segundos, Valmir de Francisquinho (Republicanos) ficará com 1 minuto e 2 segundos, a Federação PSDB/Cidadania terá cerca de 30 segundos e a Federação PSOL/Rede, aproximadamente 26 segundos.
Fábio terá mais de quatro vezes o espaço reservado à coligação de Valmir e mais que o dobro do tempo da chapa de Ricardo. A diferença se torna ainda mais relevante porque o governador disputa a reeleição e chega ao horário eleitoral com quase quatro anos de gestão para apresentar. Obras, programas, indicadores, investimentos e entregas poderão ocupar boa parte desse espaço, ao mesmo tempo em que a campanha terá tempo para apresentar as propostas para tentar um segundo mandato.


