Faltando exatamente um mês para os sergipanos irem às urnas, o cenário das eleições de 2026 começa finalmente a ganhar uma forma mais clara. Mas é justamente nas próximas semanas, porém, que muita coisa ainda pode mudar. A campanha de rua ganhou força, o horário eleitoral já está no ar e os candidatos começam a concentrar seus maiores atos. E a Realce destrincha sobre como está o panorama hoje nas principais disputas em Sergipe e também a corrida pela Presidência da República.
Governo
A maior mudança na corrida pelo Governo aconteceu justamente nos últimos meses. Fábio Mitidieri (PSD), que durante boa parte da pré-campanha aparecia em uma disputa mais apertada com Valmir de Francisquinho (Republicanos), conseguiu crescer e chega aos últimos 30 dias em sua melhor posição desde que começou o processo eleitoral, ganhando a confiança do eleitorado em função do grande volume de entregas de sua gestão.
Foram diversas pesquisas nas últimas semanas que apontaram a possibilidade de a eleição terminar ainda no primeiro turno, como as sondagens do Instituto França, CTAS, Veritá, Quaest e a mais recente do ECM. Isso não significa que a eleição esteja definida. Valmir, que teve sua candidatura deferida após meses de forte insegurança por conta do caso do Matadouro, ainda possui uma base eleitoral importante e entra neste último mês tentando encurtar a distância. Mas o desafio do republicano hoje é maior: além de buscar uma reação suficiente para se aproximar de Fábio, precisa impedir que o governador ultrapasse a metade dos votos válidos; e conter o desgaste de seu discurso que foi se fragilizando, principalmente por sua aliança com Belivaldo Chagas, a quem um dia tanto acusou de ser o algoz de sua prisão.
Ricardo, por sua vez, teve mais um obstáculo em sua candidatura: o próprio partido. Com apenas 30 dias restantes, sua missão é justamente romper essa dificuldade e tentar se inserir, mesmo sem os recursos que esperava do Fundo Eleitoral e sem a unidade do bolsonarismo, numa disputa que, até aqui, permanece concentrada entre Fábio e Valmir.
Senado
Para a corrida pelo Senado, são duas vagas disponíveis e um grupo grande de candidatos ainda com condições reais de chegar. Mas o desenho que se tem até aqui mostra Rogério Carvalho (PT) como o nome mais competitivo e com maior capilaridade, enquanto André David (Republicanos) aparece como o nome da direita que, na briga com os demais candidatos do campo, tem as melhores projeções de vitória.
Mas vale lembrar que o segundo voto pode produzir combinações completamente diferentes e, com tanta gente ainda indecisa, provavelmente será a disputa que chegará ao dia 4 de outubro com o maior número de candidatos efetivamente acreditando na vitória.
Câmara Federal
A corrida pelas oito cadeiras de Sergipe na Câmara dos Deputados também chega aos últimos 30 dias cercada de incertezas. Aqui, mais do que simplesmente observar a força individual de cada candidato, é necessário olhar para as chapas e federações, porque o desempenho coletivo será determinante para definir quantas vagas cada grupo conseguirá conquistar.
Mas já é consenso, até aqui, que Fábio Reis (PSD), Yandra Moura (UB) e Cláudio Mitidieri (PSB) estão entre os nomes mais competitivos e com maior capilaridade para figurar entre os mais votados. A grande dúvida começa justamente a partir daí, principalmente pelas disputas internas que vão se formando dentro das próprias chapas. No PSD, por exemplo, Anderson de Zé das Canas, que travava uma briga voto a voto pela segunda vaga projetada para o partido com Katarina, conseguiu superar a delegada pelo crescimento que teve nos últimos dias e tem hoje maiores chances.
Na oposição, Ícaro de Valmir (Republicanos) é quem aparece hoje com as melhores projeções. Moana Valadares (PL), porém, aposta principalmente no engajamento do eleitorado bolsonarista para conquistar a cadeira hoje ocupada pelo esposo, Rodrigo Valadares (PL), que disputa o Senado.
Já no PT, Márcio Macedo chega ao último mês como um dos candidatos que mais cresceram na disputa, especialmente diante do engajamento direto de Lula em sua campanha. Esse avanço mostra que ele pode ser o novo federal do partido em Sergipe
Também há outros nomes numa eleição em que poucos votos podem mudar não apenas a posição individual de um candidato, mas também quem ficará com a última cadeira de cada chapa. Por isso, a tendência é que a Câmara permaneça difícil de projetar até muito perto da votação. Há nomes aparentemente mais seguros, mas existe um segundo bloco bastante grande brigando diretamente pelas cadeiras restantes.
Alese
Na Assembleia Legislativa, a eleição também promete renovação. Das 24 cadeiras, 19 deputados de mandato entraram inicialmente na disputa pela reeleição, enquanto outros abriram espaço para novos nomes. Só isso já garante mudanças na composição da Casa.
O PSD possui uma das chapas mais fortes, reunindo deputados como Luciano Bispo, Jorginho Araújo, Maisa Mitidieri e Adailton Martins, além de nomes que cresceram muito durante a construção da campanha, especialmente Coronel Ribeiro.
Na Federação Brasil da Esperança, Ibrain de Valmir e Padre Inaldo aparecem hoje como os principais favoritos para liderar a votação interna. Paulo Júnior, Candisse e Chico do Correio também chegam competitivos na sequência, além de Camilo Daniel.
O Republicanos também possui uma das disputas internas mais interessantes. Marcos Oliveira e Ana Luiza aparecem fortes, enquanto Georgeo Passos e Matheus Corrêa brigam por espaço dentro de uma projeção que pode chegar a três cadeiras.
Na Federação União Progressista, a quantidade de nomes competitivos torna qualquer projeção ainda mais complicada. Cristiano Cavalcante, Marcel Azevedo, Kaká Santos, Marcelo Sobral, Lidiane Lucena, Hilda Ribeiro, Marcelo Sobral, Pato Maravilha, Netinho Guimarães e outros candidatos entram numa disputa interna pesada. No Avante, Júnior de Diógenes foi um dos nomes que mais chamaram atenção desde o começo da campanha, principalmente pela força demonstrada em Tobias Barreto, e chega aos últimos 30 dias colocado entre os principais nomes da legenda.
Presidência
No cenário nacional, a principal novidade das últimas semanas atende pelo nome de Augusto Cury (Avante). O escritor começou a campanha aparecendo com percentuais muito baixos e, em pouco tempo, graças à estratégia digital, passou a ocupar sozinho a terceira colocação, dando corpo a uma candidatura que tenta se apresentar como alternativa à disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Mesmo assim, a distância para os dois primeiros ainda é grande. Lula e Flávio permanecem concentrando a maior parte das intenções de voto e, se a eleição fosse hoje, são eles que aparecem com maior probabilidade de chegar ao segundo turno. Para Cury, os próximos 30 dias serão decisivos para mostrar se esse crescimento tem fôlego para continuar ou se encontrará um teto próximo do patamar atual.


