A exatos 20 dias para as eleições, que acontecerão em 4 de outubro, a disputa pelas duas vagas de Sergipe no Senado já começam a ganhar uma forma mais consolidada. Há um grupo grande de candidatos ainda com condições de chegar, mas o desenho construído até aqui já permite identificar quem conseguiu avançar melhor. Rogério Carvalho (PT) aparece como o nome mais competitivo e com maior capilaridade, enquanto André David (Republicanos) é, dentro do campo da direita, quem chega a esta reta final com as melhores projeções.
O senador petista conseguiu atravessar a campanha mantendo presença forte tanto na capital quanto no interior. A própria condição de parlamentar e a estrutura política construída ao longo do mandato ajudam a explicar essa vantagem. Mas também pesa a seu favor a força do apoio de Lula, que o tem como uma de suas prioridades; da militância; dos movimentos sociais, sindicais e populares; além de seu protagonismo nacional na defesa de importantes pautas no Congresso.
André David percorreu um caminho diferente. Mesmo sem iniciar a disputa como um dos nomes mais óbvios para ocupar uma das vagas, cresceu explorando principalmente sua identificação com a segurança pública e hoje disputa diretamente um eleitorado de direita bastante fragmentado.
É justamente essa divisão que torna a situação de Rodrigo Valadares (PL) mais complicada do que poderia parecer inicialmente, quando por um monte até chegou a ficar na posição de favorito. Mesmo sendo o candidato oficial do clã Bolsonaro em Sergipe e contando com o apoio de Flávio Bolsonaro, ele não conseguiu monopolizar esse eleitorado. AD avançou sobre essa mesma base, enquanto Alessandro Vieira (MDB), eleito em 2018 com forte apoio da direita, também tenta reconstruir pontes com esse público e segue vivo na disputa.
André Moura (UB) é outro nome que não pode ser descartado. Sua principal força está justamente na capilaridade construída pelo interior e na quantidade de alianças municipais acumuladas ao longo dos últimos anos. Em uma eleição para duas vagas, na qual o segundo voto muitas vezes escapa das combinações mais previsíveis, essa estrutura pode fazer com que ele apareça como uma das surpresas.
Mais atrás, alguns candidatos ainda não conseguiram demonstrar a mesma competitividade. Edvaldo Nogueira (PDT) e Eduardo Amorim (Republicanos), por exemplo, chegam aos últimos 20 dias com dificuldades para transformar suas bases políticas em um movimento mais amplo pelo estado e seguem com força mais concentrada na Grande Aracaju. Isso não significa que estejam matematicamente fora da corrida, mas o tempo para uma mudança significativa de patamar está cada vez menor.


