Em 2018, Alessandro Vieira (MDB) surpreendeu ao conquistar mais de 474 mil votos com um discurso de combate à corrupção, somado ao apoio explícito ao então presidenciável Jair Bolsonaro. Tornou-se, naquele momento, o nome natural da direita conservadora no estado. Mas o rompimento com o bolsonarismo posteriormente lhe custou caro, fazendo-o perder apoio da base que o elegeu e passar a ser tratado como “traidor” por boa parte do eleitorado conservador.
Agora, com a proximidade de 2026, tenta reconquistar parte desse eleitorado, mas enfrenta forte concorrência com a consolidação de Rodrigo Valadares (UB), que conta com o endosso público de Bolsonaro.
E uma das evidências mais claras disso é o aumento das críticas ao deputado federal e supostas tentativas de polarizar com ele o voto conservador. Durante entrevista ao jornalista Luiz Carlos Focca, por exemplo, Alessandro disparou: “Ele não é um homem sério. Se elegeu puxando saco do PT e do MST.” O senador também minimizou a atuação parlamentar do adversário: “Não tem serviço prestado. Se vocacionou para essa coisa artística, teatral. É videozinho na internet, é gritaria. Mas você passa a peneira e não tem serviço, não tem nada. E o método dele é esse: ofender, atacar.”
Rodrigo, por sua vez, tem reiterado que o senador foi um verdadeiro “traidor” com o bolsonarismo, com um posicionamento que reflete o sentimento predominante entre lideranças e apoiadores do ex-presidente, que veem com desconfiança e até deboche qualquer tentativa de reaproximação do senador com o campo conservador.
Ainda assim, analistas políticos ponderam que Alessandro pode sim ter espaço, especialmente em um cenário com candidaturas fragmentadas e alta polarização. Ele pode apostar na possibilidade de atrair o chamado “segundo voto”, eleitores que já têm uma primeira opção definida, mas que rejeitam os extremos e podem optar por um nome mais moderado como alternativa; e surpreender novamente.


