O clima esquentou na Câmara Municipal de Aracaju ontem, 7, após a vereadora Sônia Meire (PSOL) usar a tribuna para defender políticas de combate à violência contra as mulheres, no contexto dos 19 anos da Lei Maria da Penha. Ao abordar a estrutura social que, segundo ela, “forma homens violentos desde a infância”, a parlamentar foi rebatida por Lúcio Flávio (PL), que considerou seu discurso uma generalização.
Sônia destacou que a violência é parte fundante da masculinidade, construindo desde cedo meninos que reprimem sentimentos, são incentivados a não demonstrar fraqueza e que crescem com o sentimento de autorização para agredir. “Criamos meninos que não podem demonstrar sentimentos humanos. […] A violência é internalizada pelos meninos, e eles crescem e se tornam homens que se sentem autorizados a praticar as violências”, afirmou a vereadora.
Em resposta, Lúcio Flávio se disse indignado e afirmou que a colega generalizou ao falar dos homens. “Tem muitos homens aqui no plenário que são muito diferentes do que foi generalizado”, rebateu. Em tom crítico, o vereador declarou que Sônia “não entende muito bem do que é ser um homem de verdade” e que “aquele que agride uma mulher não é um homem, é um criminoso”.
O parlamentar também mencionou a audiência pública promovida pela própria Câmara para debater o papel dos homens no enfrentamento à violência contra a mulher. “Eu sou um deles. […] A senhora sabe disso. Um ativista veio aqui e disse que as mulheres não precisam dos homens. Mas eu digo: precisamos ensinar os homens que sua força deve servir para proteger, sim. Eu protejo, divido tarefas, respeito”, completou.
O embate expôs uma divergência de fundo sobre o entendimento da origem da violência de gênero: se ela é estrutural e socialmente construída, como defende Sônia, ou se é um desvio de caráter individual, como argumenta Lúcio.


