Por Fernanda Souto
Segue dando o que falar nos bastidores da classe política a postura da prefeita Emília Corrêa (Republicanos) com relação ao apoio a Rodrigo Valadares (UB) para o Senado. E quem se posicionou desta vez foi a vereadora, esposa do deputado e presidente estadual do Partido Liberal, Moana Valadares, que colocou a gestora contra a parede ao classificar como traição qualquer recuo no compromisso firmado ainda em 2024.
Emília havia definido publicamente Rodrigo como um dos seus nomes para o Senado em 2025, quando anunciou publicamente a formação de sua chapa com o bolsonarista e Eduardo Amorim (Republicanos). Mas o cenário começou a mudar quando Valadares assumiu o comando do PL em Sergipe, retirando o partido da influência direta dos irmãos Amorim e abrindo um conflito político interno.
A partir daí, passaram a circular, nos bastidores, especulações sobre um possível recuo da prefeita, sobretudo pela pressão de setores do seu grupo mais alinhados aos Amorim.
Meses depois, Emília chegou a afirmar publicamente que mantinha sua posição de apoio, o que gerou forte insatisfação dentro desse mesmo grupo. Agora, no entanto, a prefeita tem adotado uma postura considerada “em cima do muro”, transferindo para o coletivo uma decisão que antes tentava assumir como líder do agrupamento.
Foi diante desse vai-e-vem que Moana reagiu de forma dura. Em declaração ao radialista Focca, deixou claro que o PL não apoiará candidaturas que não assumam palanque definido e lembrou que o compromisso firmado incluía não apenas Rodrigo para o Senado, mas também o alinhamento com o projeto nacional do partido. Para ela, qualquer desfecho diferente do combinado representa uma traição política grave.
“O PL tem uma condição muito clara para apoiar qualquer candidatura a governo. Essa candidatura precisa fazer o palanque de Flávio Bolsonaro em Sergipe. O PL não vai apoiar quem ficar em cima do muro, tão pouco iremos deixar o eleitor enganado. Sobre a fala de Emília, me surpreende a mudança de tom, pois quando a apoiamos em 2024 ela assumiu o compromisso não só com Rodrigo mas com BOLSONARO, de apoiar seu candidato a presidente e Rodrigo Valadares para o senado. Será uma grande traição se as coisas saírem diferente disso”, enfatizou.
A fala escancara o desconforto e aumenta a pressão sobre Emília, que agora se vê diante de uma escolha: reafirmar o compromisso assumido ou arcar com o ônus político, especialmente com os bolsonaristas, de ser acusada de romper acordos com quem os representam no estado.


