Nos bastidores, muito se especulou ao longo das últimas semanas, como já abordado pela Realce, de que o senador Alessandro Vieira (MDB) estaria usando a CPI do Crime Organizado, assim como outras comissões que participou recentemente, como um trampolim eleitoral para se projetar e ganhar destaque nacionalmente. E isso, de fato, ele conseguiu. No entanto, não como esperava, mas sim como um verdadeiro tiro pela culatra contra o delegado. O desgaste foi tão significativo que acabou invertendo o cenário, ficando menor do que entrou, e o que poderia fortalecer seu projeto de reeleição terminou fragilizando sua imagem política em escala nacional.
O ponto de virada foi a rejeição do relatório final da comissão, por 6 votos a 4, resultado que rapidamente ganhou repercussão nacional. Relator da CPI, Alessandro afirmou que houve “intervenção direta do Palácio do Planalto” para garantir a maioria contrária ao seu parecer, citando mudanças na composição do colegiado como fator decisivo. Ainda assim, nos bastidores de Brasília, a leitura é de que o conteúdo do relatório, especialmente por incluir pedidos de indiciamento de ministros do STF e do procurador-geral da República, acabou pesando contra o próprio senador, lhe gerando também grande desgaste com a esquerda.
Lideranças políticas reagiram com críticas duras. Setores da esquerda classificaram o documento como “escandaloso” e questionaram a falta de foco no enfrentamento direto às facções criminosas, destacando a ausência de responsabilização clara de organizações como PCC e Comando Vermelho. No Supremo Tribunal Federal, a reação também foi imediata. O ministro Gilmar Mendes classificou a condução da CPI como uma “confusão proposital” e chegou a acionar a Procuradoria-Geral da República para apurar possível abuso de autoridade, apontando desvio de finalidade na atuação da comissão.
As repercussões também se refletiram fora do meio político, o que é ainda pior para o emedebista, que pode ver subir sua rejeição popular. Nas redes sociais, internautas comentaram. “CPI do crime organizado e deixa o crime organizado de fora. Como assim?”, disse um internauta. “Oxente esse senador protege todos os bandidos do crime organizado e vem culpar o governo”, comentou outro. “Deram uma CPI de bandeja para ele se eleger e o cara consegue fazer m*. Espero que a gente possa escolher melhor nossos representantes”, pontuou mais um.
Diante desse cenário, a avaliação que ganha força é de que a CPI, que poderia servir como vitrine para impulsionar seu projeto eleitoral, acabou se tornando um fator de desgaste.

