O rompimento político entre Rodrigo Valadares (PL) e Ricardo Marques (PL) com a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), guarda suas semelhanças e a principal delas é a de que ambos vinham igualmente sendo isolados das principais decisões e articulações do grupo, diante da postura centralizadora e das disputas internas da gestora com demais nomes do bloco pela liderança da oposição em Sergipe. Esse cenário acabou culminando em um movimento de grande impacto para as eleições de 2026, com uma reestruturação da direita no estado que já começa a redesenhar forças e influências até mesmo para os pleitos futuros.
Ricardo, que viu seu espaço no grupo ser praticamente anulado, e Rodrigo, que testemunhou a quebra do acordo de 2024 que previa o apoio da prefeita em 2026, são agora os principais nomes bolsonaristas no pleito, sendo o deputado federal pré-candidato ao Senado e Marques, pré-candidato ao Governo do Estado, ambos chancelados tanto por Flávio quanto por Jair Bolsonaro. E isso, por si só, acende um grande alerta no agrupamento de Emília, que vê se esvair, dia após dia, o apoio de bolsonaristas ao seu grupo, especialmente desde sua saída do PL.
E é justamente esse movimento que pode se transformar no chamado “karma” político da prefeita. Esse rompimento com boa parte do bolsonarismo, representado hoje por Rodrigo, Ricardo e Flávio, pode cobrar um preço alto tanto para sua reeleição em 2028 quanto para o projeto maior que hoje almeja: a disputa pelo Governo do Estado em 2030.
Como já abordado pela Realce, nesse cenário, uma eventual vitória de Valmir de Francisquinho (Republicanos) agora reduziria drasticamente as chances de Emília disputar o governo, já que ele naturalmente caminharia para a reeleição. Diante disso, a prefeita tem adotado um apoio de baixa intensidade, o que, na percepção dos bastidores do poder, reforça a leitura de que ela própria já se coloca como pré-candidata ao governo. Isso se evidencia, sobretudo, pela ocupação dos espaços midiáticos nos últimos dias, majoritariamente protagonizados por ela, e não pelo pré-candidato do grupo, uma dinâmica bem diferente do que se viu em 2022, quando o itabaianense ocupava esses espaços de forma espontânea.


