A política sergipana se aproxima das eleições de 2026 com dois movimentos claros, mas ainda longe de qualquer definição. De um lado, o Governo do Estado aparece mais organizado, com estrutura consolidada e caminho melhor encaminhado para a disputa majoritária. Do outro, o cenário para o Senado permanece completamente aberto, sem qualquer configuração que permita apontar vencedores neste momento, ainda que se observe a vantagem de Rogério Carvalho (PT), que conta com o apoio de Lula (PT), de dezenas de prefeitos e lideranças regionais e um mandato que lhe torna necessário para o lulismo.
A leitura predominante entre integrantes do alto escalão da política é de que o governador Fábio Mitidieri (PSD) chega ao ano eleitoral em posição mais confortável do que seus adversários. A combinação entre máquina administrativa, articulação institucional, gestão bem avaliada e base política estruturada cria um ambiente de clara vantagem. Ainda assim, vantagem não é vitória, e a história recente mostra que cenários eleitorais podem mudar rapidamente quando entram na fase decisiva. Por esse motivo, aliados começam a “correr trecho” para não deixar a vitória escorrer por entre os dedos.
Se na disputa pelo Governo há um desenho mais claro, o mesmo não se pode dizer do Senado. A eleição, que envolve dois votos, segue marcada por indefinição, sobreposição de nomes e ausência de consolidação. Nenhum grupo conseguiu, até agora, posicionar um nome que construa a percepção de eleição consolidada. O resultado é um tabuleiro fragmentado, onde praticamente todos os atores relevantes seguem no jogo.
Esse cenário tem gerado movimentação silenciosa nos bastidores. Diferente de outros ciclos, em que alianças eram fechadas com antecedência, o que se observa agora é uma incerteza generalizada, percebida não apenas na política sergipana, mas também por analistas nacionais. Diante disso, diversas lideranças evitam compromissos definitivos e aguardam o amadurecimento do ambiente antes de tomar decisões estratégicas. A lógica é simples: quem se posiciona cedo demais corre o risco de ficar preso a um cenário que ainda pode mudar.
Outro fator que contribui para essa indefinição é o comportamento do eleitor. Ainda distante do momento mais intenso da campanha, o voto segue em formação, especialmente na disputa para o Senado. Isso amplia o espaço para crescimento de nomes, rearranjos de alianças e mudanças de rota ao longo dos próximos meses.
No fim, o que se desenha em Sergipe não é um cenário resolvido, mas um jogo em andamento. O Governo larga melhor posicionado, mas ainda precisa sustentar essa condição. A oposição, por sua vez, segue fragmentada, mas longe de estar fora da disputa. E o Senado permanece como o principal campo de incerteza, onde o resultado final dependerá menos de antecipações e mais da capacidade de construção ao longo da campanha.
Em política, a única leitura segura neste momento é a de que ainda não há nada definido. E quem agir como se houvesse, corre o risco de ser surpreendido quando o jogo, de fato, começar.

