Segue repercutindo a inclusão do Òsún N’Ilè no calendário oficial de Aracaju. Desta vez, os professores da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Alexandre de Jesus dos Prazeres e Péricles Andrade, se posicionaram, apontando, em artigo, que os votos contrários de vereadores refletem um processo de “demonização” das religiões de matriz africana.
Os docentes apontam “a demonização dos orixás pelas igrejas neopentecostais”, revelando uma suposta “guerra santa” ou “batalha espiritual”, na qual tais divindades são reinterpretadas como “demônios que se travestem de entidades para enganar e prejudicar as pessoas”.
A proposta, de autoria da vereadora Professora Sônia Meire (PSOL), foi aprovada com 12 votos favoráveis, mesmo diante da resistência de sete parlamentares. Durante a sessão, vereadores que votaram contra justificaram suas posições com base nas próprias convicções religiosas. Já os parlamentares favoráveis defenderam o reconhecimento institucional de diferentes expressões culturais e religiosas.
O projeto reconhece o Òsún N’Ilè como evento religioso e cultural vinculado às tradições de matriz africana, com realização anual em Aracaju. A iniciativa busca valorizar essas manifestações e reforçar sua importância histórica na construção da identidade local, ampliando o espaço de reconhecimento para comunidades tradicionais de terreiro.
Nas redes sociais, o tema rapidamente dividiu opiniões. Entre os comentários, um usuário afirmou: “Intolerância religiosa e a falta de discernimento que o Estado é laico”. Outro escreveu: “Uma bancada ‘cristã’ que exclui? O que Jesus acharia disso?”. Já um terceiro comentou: “E muitas vezes o povo de terreiro vota nessas miséria. Bora aprender aí, meu povo??”. “Concordo com eles, tem que honrar os votos que receberam”, defendeu outro.


