Na contramão da determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que suspendeu parte da produção da marca Ypê na fábrica de Amparo (SP), direitistas mais radicais passaram a usar as redes sociais neste último final de semana para incentivar o consumo dos produtos investigados. Um dos casos foi o do deputado estadual Luizão Dona Trampi (PL), que publicou vídeo exibindo uma embalagem com cinco litros de detergente e ironizando a presença da bactéria apontada nas inspeções sanitárias.
“Aí, minha galera pé embaixo, mandei comprar 5 litros, vou gastar num banho só, visse? Num banho só, vou gastar aí, pra ver se essa filha do canso dessa ‘bactéria’ vem”, afirmou o parlamentar em tom de deboche, enquanto incentivava o uso do produto mesmo diante das recomendações das autoridades sanitárias.
Além do incentivo ao uso dos produtos, membros da direita aproveitaram a situação para atacar a atuação da Anvisa e levantar, sem apresentar provas, suspeitas de “retaliação política” contra a empresa. Nas redes sociais, também viralizaram vídeos de pessoas tomando banho e até simulando ingestão de detergentes da marca.
Apesar da repercussão política, a própria Ypê decidiu interromper temporariamente a produção na unidade alvo da fiscalização, mesmo após obter liminar suspendendo os efeitos imediatos da decisão da Anvisa. A empresa informou que aproveitará o período para acelerar o cumprimento das medidas sanitárias exigidas pelos órgãos de fiscalização.
A inspeção realizada pela vigilância sanitária identificou, pela segunda vez, contaminação de produtos por micro-organismos, além de falhas relacionadas à higiene e limpeza nas áreas de produção. Segundo o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo, também foram constatados problemas documentais e suspeitas de contaminação da água utilizada na fábrica.
Entre os micro-organismos encontrados está a bactéria Pseudomonas aeruginosa, conhecida por oferecer maior risco a pessoas com baixa imunidade e frequentemente associada a infecções hospitalares.


