A disputa pelas duas vagas ao Senado em Sergipe passou por mudanças profundas nos últimos meses e o cenário que parecia caminhar para definições mais previsíveis hoje já é tratado nos bastidores como uma das corridas mais abertas e competitivas da história recente da política sergipana, especialmente na corrida pela segunda cadeira, que tende a ficar com a direita, enquanto a primeira já é unânime que deve ficar com a esquerda. Nomes cresceram, oscilaram, voltaram ao jogo e outros perderam força, transformando completamente a dinâmica da eleição de 2026.
Alessandro Vieira (MDB) oscilou, cresceu, caiu e depois voltou com força ao jogo. Impulsionado pelos holofotes da imprensa nacional, especialmente diante dos recentes embates envolvendo o STF e ministros da Corte, começou a reconquistar parte importante do eleitorado conservador e antipetista que formou a espinha dorsal de sua vitória em 2018.
Quem também demonstrou força foi Rogério Carvalho (PT). Mesmo diante de um cenário extremamente competitivo e com vários nomes fortes pleiteando o mesmo posto, o petista segue sustentando sua posição de favorito na corrida.
Já André Moura (UB), que inicialmente parecia correr por fora, mostrou definitivamente que entrou no jogo em igualdade com os demais postulantes e tem demonstrado crescimento surpreendente.
Mas talvez a principal mudança da corrida tenha sido o surgimento de André David (Republicanos) como fator surpresa. Embora a Realce já tivesse antecipado anteriormente a possibilidade de seu nome entrar na majoritária, poucos imaginavam que ele de fato desistiria da disputa pela Câmara Federal para entrar na corrida ao Senado. Com perfil conservador, o delegado começou a avançar justamente sobre um eleitorado muito semelhante ao de Rodrigo Valadares (PL), acendendo um forte sinal de alerta no entorno do deputado federal.
E é justamente aí que está a grande mudança envolvendo Rodrigo. Durante muito tempo, o caminho parecia amplamente favorável ao parlamentar, especialmente após consolidar o apoio definitivo do clã Bolsonaro e se firmar como principal nome da direita bolsonarista no estado ao lado de Coronel Rocha (PL) e Ricardo Marques (PL). A avaliação era de que, com uma das vagas tendendo ao campo da esquerda ou centro-esquerda, a segunda cadeira naturalmente ficaria com a direita, cenário que favorecia diretamente Rodrigo. Mas o avanço de Alessandro Vieira e André David passou a ameaçar justamente a base eleitoral que sustenta sua força política.
Na contramão desse movimento, quem segue sem conseguir transformar seu nome em competitividade real é o ex-prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira (PDT). Apesar de ter ensaiado uma breve volta ao centro das atenções após especulações recentes envolvendo sua possível desistência da disputa, o efeito foi curto. Nos bastidores, a avaliação predominante continua sendo a de que Edvaldo não conseguiu criar sentimento de crescimento eleitoral nem apresentar capacidade de mobilização comparável à dos principais concorrentes. Sua força permanece concentrada na capital, enquanto o interior segue sendo seu principal desafio numa eleição que exige capilaridade estadual.
A Realce encomendou uma pesquisa e deve publicar nos próximos dias, trazendo um panorama do cenário.


